sábado, 8 de fevereiro de 2020

Galinha

Os brucutus de Rondônia são a emanação de Bolsonaro

Sai o “kit gay”, entra Machado de Assis; no lugar da “mamadeira de piroca”, ponha-se Aurélio Buarque de Holanda; em vez de “golden shower”, proíba-se Euclides da Cunha e, liberado o “imbrochável” capitão, vete-se o indigitado Franz Kafka, ou Kafta, como prefere o Ministro da Educação…
index librorum prohibitorum da Secretaria de Educação (!!??) de Rondônia, governado pelo coronel Marcos Rocha, do PSL e a caminho da aliança bolsonarista, é uma tragicomédia dos tempos em que vivemos.
A obscura Irany de Morais, que assina eletronicamente a lista, como a Dona Solange rondoniense, é só a mão desta história, como a censora da ditadura era a extensão do regime.
Todo este horror, infelizmente, infelizmente, é a consequência prática do que disse, há um mês, Jair Bolsonaro, quando disse que ia “suavizar” os livros escolares, cujo defeito era ter “muita coisa escrita”.
— Tem livros que vamos ser obrigados a distribuir esse ano ainda levando-se em conta a sua feitura em anos anteriores. Tem que seguir a lei. Em 21, todos os livros serão nossos. Feitos por nós. Os pais vão vibrar. Vai estar lá a bandeira do Brasil na capa, vai ter lá o hino nacional. Os livros hoje em dia, como regra, é um amontoado… Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo
Pois é: “Em 21, todos os livros serão nossos”…
E como Machado, Euclides, Rubem Fonseca (que no Ipês conspirou por 64), Mário de Andrade e até minha amiga e contemporânea de faculdade, Rosa Amanda Strausz não são “deles”, fogueira para seus livros com aqueles “amontoado” de muita coisa escrita.
Um detalhe, porém, deve ter escapado a muitos.
A proibição a Rubem Alves, citado no rodapé da lista com um recolha-se para todo e qualquer livro seu, vai além da estupidez literária.
É que Rubem, um educador, psicanalista e pastor presbiteriano morto em 2014, foi parceiro de Paulo Freire e, como se já não bastasse este “pecado”, também um adepto da teologia da libertação no campo evangélico.
Quem fez a lista não era um tolo que a formulou por ignorância. Sabia muito bem o que estava fazendo.

DOAÇÃO INTERESSEIRA...

Interior

Sem medo de ser colônia, o troféu da Lava Jato

Matriz ou filial, samba canção de Lúcio Cardim que Jamelão imortalizou, já não serve para classificar o Brasil.
Agora, com o plano do governo Bolsonaro – adiantado hoje pela Folha, nem mesmo filial é preciso ter para ganhar dinheiro no nosso (?) país.
Bens, serviços e obras não precisarão mais, para serem comprados ou contratados, que empresas estrangeiras sequer abram aqui um escritório de representação.
Isso abrange, inclusive, o setor de construção pesada, no qual o Brasil era não só autossuficiente, mas também um exportador, com contratos por toda parte do mundo e onde os créditos do BNDES (estes mesmos que a auditoria da caixa-preta provou serem lícitos e corretos) serviam para estimular toda a cadeia de suprimentos para a sua realização.
Uma bomba nuclear não seria tão devastadora sobre estas empresas, sobre centenas de milhares de empregos e sua agora nula capacidade de trabalhar aqui e lá fora.
E, arruinadas aqui as nacionais, porta totalmente aberta para os estrangeiros.
Agora basta contratar a obra lá de fora, mandar uns místeres para cá, contratar a peonada, com uns tradutores-feitores e levar o grosso o dinheiro para fora.
A industrialização do Brasil, cujas bases Getúlio Vargas e JK lançaram, desparece. Nem mesmo montadoras de peças importadas precisaremos ter.
A elite brasileira se lançou no projeto de que aqui seja apenas um entreposto colonial, que que seu projeto econômico seja apenas o de receber comissões, como a proxeneta a nação.
Aliás, mesmo, o que vale lembrar é da velha expressão: “casa de porta aberta”.

CHURRASCO MAL PASSADO...

Carne

Delação premiada de Cabral é o “Palloci – Parte 2”

Rejeitada pela PGR, recebida como xepa pela Polícia Federal, a delação premiada de Sérgio Cabral, homologada hoje pelo sr. Luís Edson Fachin, servirá para o mesmo que serviu sua gêmea, a delação de Antonio Palloci: produzir algumas manchetes acusatórias e mais nada.
Ou alguém acha que o ansioso Ministério Público deixaria passar o “filé” de algo que tivesse alguma verossimilhança com a verdade nos seus depoimentos, ainda mais se implicasse Lula, Dilma ou o PT?
A história é toda um absurdo: que tipo de “benefício” se pode dar a alguém que está condenado a penas que vão se aproximando de três séculos?
Como assim Sérgio Cabral vai “devolver” R$ 380 milhões? Onde os guardou que, durante mais de quatro anos preso, a polícia não os encontrou? Porque devolvê-los, se não foram achados, e não faze-los esperar, nas mãos seguras de quem os tem agora em seu nome?
Obter redução de pena. Quanto? Quem sabe à metade, ficando com 134 anos, em lugar dos atuais 268?
Lembrem-se que, para cálculo de progressão de regime, o que conta é a soma das penas, não o limite de 30 anos de execução, nos termos da Súmula 715 do STF. Neste caso, Cabral ainda teria 18 anos em regime fechado, do qual sairia, com restrições, aos 75 anos de idade.
A delação, então, deve-se à quê? Conversão, arrependimento cristão? Façam-me o favor, não é?
O que lhe terão prometido além da posibilidade de vingar-se, usano a Justiça, e seus desafetos?
Está evidente que é uma jogada política. foi por isso que Fachin a acolheu, porque ele sente que pode alimentar ódios e desmerecimento de quem ele tem repulsa: dos que o puseram no STF.
cansei

Produção de veículos cai 3,9%. Máquinas agrícolas, 5,9%. Importações preocupam

Para ilustrar o que disse no post anterior sobre os sinais fracos da economia que não repercutem no mundo ilusório da especulação: a fabricação de veículos em janeiro de 2020 ficou 3,9% menor que em janeiro de 19, enquanto as vendas caíram 3,2%.
A de máquinas agrícolas, que refletem as expectativas do agronegócio, pior ainda: queda de 5,9% na mesma comparação, redução puxada pelas máquinas voltadas para a cultura de grãos, como soja e milho.
E o problema aí não é a China. Em parte é a Argentina, nosso maior importador nestes setores.
Problemas com a China, sim, já estamos tendo em outras áreas da indústria. O Valor noticia hoje que uma montadora de celulares da Motorola em São Paulo, vai parar dez dias por falta de placas importadas, o que está afetando também a filial da Samsung e outras empresas.
No Valor, prevê-se que dentro de poucas semanas a falta de insumos, em geral, e de componentes eletrônicos vai ser fortemente sentida por nossas indústrias. Os navios, diz o jornal, têm saído de lá com carga abaixo do normal, por falta de produção.
Em outro sinal preocupante, a China National Offshore Oil Corporation, petroleira chinesa parceira da Petrobras, suspendeu seus contratos de compra de gás natural. Como o gás alimenta fábricas, é de se supor que a demanda deste setor murchou acentuadamente.

sábado, 11 de janeiro de 2020

A imagem pode conter: 2 pessoas, barba e texto

BC fecha contas de 2019: maior saída de dólares da história

No G1, a confirmação da cantilena que este blog mantém desde setembro: a “enxurrada de dólares” existe, só que para fora do Brasil. A maior da história, basta dizer isso:
Em um ano marcado por sucessivos recordes na cotação do dólar, a retirada de dólares da economia brasileira superou o ingresso de divisas em US$ 44,768 bilhões. Os números de 2019 foram divulgados nesta quarta-feira (8) pelo Banco Central.
Essa é a maior fuga de divisas do país desde o início da série histórica da instituição, em 1982, ou seja, em 38 anos. Até então, a maior saída havia sido registrada em 1999, quando US$ 16,18 bilhões deixaram a economia brasileira.
Naquele ano, o governo Fernando Henrique Cardoso abandonou a política de bandas cambiais, instituindo a livre flutuação cambial (com intervenções para corrigir “distorções” de mercado), acompanhada por objetivos para contas públicas e pelo regime de metas para inflação – o chamado “tripé macroeconômico”, que vigora até os dias atuais.
Nosso saldo comercial, que sempre serviu para tampar o “buracos” momentâneos (ou nem tanto) no nosso fluxo cambial vem se deteriorando desde julho/agosto.
2020 é o ano em que comeremos um bom naco de nossas reservas cambiais, das quais já sacamos perto de US$ 30 bi este ano.
A imagem pode conter: 2 pessoas, texto que diz "AIM, MASE Em três anos, planos de saúde sobem triplo da inflação e mensalidades escolares, dobro BRASIL BOLSONARO"

“Filia que eu subsidio”

Do Estadão, na edição de hoje, a proposta inacreditável de Jair Bolsonaro de criar os “SubsiDeus” na conta de luz, para obter ajuda na coleta de assinaturas para seu “partido”:
O presidente Jair Bolsonaro quer conceder subsídio na conta de luz para templos religiosos de grande porte. A pedido dele, uma minuta de decreto foi elaborada pelo Ministério de Minas e Energia e enviada para a pasta da Economia, mas a articulação provocou forte atrito no governo. A equipe econômica rejeita a medida, que vai na contramão da agenda do ministro Paulo Guedes, conhecido por defender a redução de benefícios desse tipo. O Ministério de Minas e Energia confirmou que o assunto está sendo avaliado.
Embora o movimento seja para beneficiar templos religiosos de forma ampla, os evangélicos são o alvo da medida. A bancada desse segmento é hoje a principal base de sustentação do governo e Bolsonaro tem atendido suas reivindicações desde que assumiu a Presidência. A influência de líderes evangélicos sobre o Palácio do Planalto é cada vez maior e o próprio presidente já disse que quer tê-los por perto na administração.
Com essa perspectiva, muitos templos já anunciaram a disposição de ajudar Bolsonaro a coletar as quase 500 mil assinaturas necessárias para criar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil. Bolsonaro também já avisou que pretende indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal. Os evangélicos representam 29% dos brasileiros e podem ser o fiel da balança na campanha de Bolsonaro à reeleição, em 2022.
Isso não é sobre luz, é sobre trevas medievalistas nas quais estam0s mergulhando.

Quanto a Embraer vai pagar pelo escândalo da Boeing?

A expressão, a gosto dos “moderninhos” que fala em “agregar valor” por imagem deveria, no caso da compra da Embraer pela Boeing ser reescrita para “deteriorar valor”.
Embora a carteira de encomendas da empresa ainda seja forte, porque no setor as encomendas são de longo prazo, é impossível que os modelos da ex-brasileira de aviação não sejam fortemente impactados pelo crescente – e irreversível – escândalo envolvendo o 737 Max da norte-americana.
Ontem, o The New York Times divulgou mensagens trocadas internamente na empresa, enviadas aos investigadores federais que atuam no caso e os diálogos não podiam ser piores:
“Você colocaria sua família em uma aeronave treinada no simulador [737] Max? Eu não faria ”, disse um funcionário a um colega em outra troca [de mensagens] a partir de 2018, antes do primeiro acidente. “Não”, respondeu o colega. Em outro conjunto de mensagens, os funcionários questionaram o design do Max e até denegriram seus próprios colegas. “Este avião é projetado por palhaços, que por sua vez são supervisionados por macacos”, escreveu um funcionário em uma troca de 2017.”
Desde o início do ano passado, em números redondos, as ações da Embraer caíram 15%, contra uma valorização de 26% do índice Dow Jones.
Com a paralisação (que tende a ser definitiva) das linhas de montagem do 737 Max, é forte a tendência de que a produção da linha E2 da Embraer seja transferida para lá, ao menos na montagem final das partes.
Papel

Saída de dólares continua intensa

A tendência de saída de capitais estrangeiros da Bolsa de Valores brasileira continua forte. E mais forte que antes.
Dias 7 e 8 de janeiro deixaram a Bovespa nada menos que R$ 3,3 bilhões, o que faz o saldo anual de saídas, em apenas uma semana, ter alcançado R$ 3 bilhões.
Ano passado, em 12 meses, acumulou saídas de R$ 44,5 bilhões e, portanto, o movimento dos primeiros dias de janeiro significa uma forte aceleração do êxodo de dólares.
A euforia do “agora a coisa vai” não parece ter sido traduzida para o inglês.
O dólar, que havia caído para R$ 4, voltou ao patamar de R$ 4,10.
Serão tolinhos, os gringos, que não sabem ler os sinais da economia?
BEBER-CAIR

Petrobras vai ser demolida para pagar R$ 10 bi a estrangeiros em dividendos até 2024


10/01/2020 - 21h59

Com esta composição acionária e os planos da Petrobras, os estrangeiros vão levar R$ 10 bi  dos R$ 28 bi em dividendos que a empresa pretende distribuir
Petrobrás pretende distribuir R$ 28 bilhões por ano em dividendo nos próximos cinco anos
 Direção quer vender ativos para pagar dividendos a acionistas
A Petrobras, cujo presidente Castello Branco, diz que está em recuperação financeira, pretende distribuir cerca de R$ 28 bilhões (US$ 6,8 bilhões) por ano em dividendos entre 2020 e 2024. 
Em 28 de novembro de 2019, a empresa divulgou em seu site o novo Plano de Negócios e Gestão – PNG para o período 2020/2024.
Muito suscinto, o documento apresentado tinha apenas quatro páginas.
Em 04 de dezembro de 2019, em apresentação em Nova Iorque, o quadro de Usos e Fontes foi apresentado conforme abaixo:
Petro
Notem que existe a previsão de distribuição de US$ 34 bilhões no período (2020/2024) em dividendos, uma media de US$ 6,8 bilhões por ano.

Mas notem também que para pagar estes US$ 34 bilhões em dividendos (Usos) vão ser vendidos US$ 30 bilhões de ativos da empresa.

Qual o motivo do esconde-esconde ?

Por que tanta falta de transparência ?

Vejam também que a Geração de Caixa apresentada é após pagamento de impostos e depósitos judiciais.

Portanto, provavelmente, temos ali ocultos gastos com a RMNR e compensações para a Petros.

Em julho de 2018 o ministro do STF Dias Toffoli suspendeu a tramitação do processo da RMNR no TST alegando:
“ São notórios os efeitos econômicos que a decisão do TST poderá acarretar aos cofres da Petrobras
Agora podemos demonstrar ao ministro que a Companhia dispõe dos recursos necessários.
O ministro pode questionar quais os valores e os processos estão incluídos na Geração de Caixa (depósitos judiciais).

Caso haja exigência de algum recurso “extra”, basta reduzir um pouco o pagamento de dividendos.

O processo continua parado aguardando decisão colegiada do STF.
Vamos continuar acompanhando (se possível).
*Cláudio da Costa Oliveira é economista da Petrobras aposentado
enqtouber

Revista científica alerta para os riscos da Amazônia virar deserto com avanço do etanol

 
Amazônia perdeu 50 mil km² de matas nos últimos 7 anos
PUBLICADO NA REDE BRASIL ATUAL
POR CIDA DE OLIVEIRA
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O portal da prestigiada revista científica Nature publicou nesta terça-feira (7) carta dos pesquisadores Lucas Ferrante e Philip M. Fearnside, ambos do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), à comunidade científica, aos formuladores de políticas do Brasil e ao público em geral. Eles pedem medidas coordenadas contra o avanço da indústria de biocombustíveis de milho e de cana na região, que aumenta “a pressão já enorme pressão da pecuária, sojicultura, mineração e das barragens de hidrelétricas sobre a floresta tropical”.
Em 5 novembro, o presidente Jair Bolsonaro liberou o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia por meio do Decreto 10.084, que revogou o Decreto 6.961, de setembro de 2009. Assinado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o instrumento instituiu o zoneamento para o plantio da cana e as operações de financiamento ao setor sucroalcooleiro, que excluía a Amazônia Legal e o Pantanal.
Em novembro, Ferrante protocolou representação no Ministério Público Federal, pedindo investigação sobre crime de lesa-pátria praticado por Bolsonaro e os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Agricultura, Tereza Cristina.

Milharal na floresta

Além de canaviais, a região está vulnerável também ao aumento do cultivo de palma, que já é cultivada no oeste do Amazonas. No ano passado, foi inaugurada uma fábrica para o processamento do óleo de palma em Roraima.
O milho é outra ameaça.  No início de dezembro, a multinacional Millenium Bioenergia deu início a obras da usina de Bonfim, em Roraima,  a 550 quilômetros do Porto de Georgetown, na Guiana Inglesa, considerado estratégico para escoar a produção para o Atlântico. A companhia anunciou investimento de mais mais de R$ 1 bilhão na construção do complexo industrial de Bonfim, que terá mais de 270 quilômetros quadrados.
Está prevista ainda a construção de três usinas no Amazonas. As obras deverão começar nos próximos meses. A previsão é que comecem a operar no final de 2021, produzindo cerca de 600 mil litros de etanol por dia – assim como em Bonfim.
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Além de etanol, serão produzidos ainda farelo de milho, gás dióxido de carbono alimentício engarrafado, bio-óleo comestível e o excedente empregado na geração de energia. Segundo o governo de Rondônia, as quatros usinas comandarão a maior cadeia produtiva de biocombustíveis da região Norte.
Como todas essas usinas usarão milho produzido na região, a expectativa é que os milharais e os canaviais tomem conta da paisagem amazônica. E impulsionem ciclos devastadores de desmatamento, como alertam Ferrante e Fearnside.