sábado, 9 de março de 2019

EXPLICA ESSA "ACOMODAÇÃO"...

tetris

Veja: Bolsonaro tuitou irado com o “Vá tomar…” e culpou Carlos

A revista Veja que vai às bancas este final de semana, na capa e em extensa reportagem, dedica-se a contar os bastidores da explosiva tuitada pornográfica do atual presidente.
Como todos imaginavam, diz ela, a postagem realmente foi uma reação destrambelhada aos coros de xingamento que ele recebia por toda a parte nos blocos carnavalescos.
Bolsonaro passou o feriado no Palácio da Alvorada, onde recebeu, de assessores, informes sobre as manifestações críticas — e xingamentos — que vários blocos país afora vinham fazendo contra seu governo. Decidiu revidar. Na terça-feira 5, depois de falar com auxiliares — e, por telefone, com o filho Carlos, desde sempre seu orientador nas redes sociais —, tuitou, às 9h19, o vídeo de uma marchinha defendendo restrições na Lei Rouanet, entre as quais o fim da renúncia fiscal para financiar o Carnaval.  O cantor do vídeo, ao dedicar sua singela composição a Caetano Veloso e Daniela Mercury, diz aos artistas baianos: “chupa”. Em face do que viria adiante, o insulto aos dois músicos parece trivial. Pouco mais de duas horas depois, o presidente escreveu que “tão importante quanto a economia é o resgate de nossa cultura, que foi destruída após décadas de governos com viés socialista”. Àquela altura, Bolsonaro já recebera de amigos imagens que demonstrariam, segundo sua visão, a imoralidade que predomina no Carnaval. Na tarde do mesmo dia, chegou a seu WhatsApp o vídeo com a performance escatológica de São Paulo. O presidente hesitou em postá-­lo. Mas um auxiliar em seguida repassou a Bolsonaro outro vídeo desaforado, embora sem atividades excretórias explícitas: em coro, foliões do bloco carioca Boi Tolo entoavam “Ei, Bolsonaro, vai tomar no …!”. Foi a gota d’água: Bolsonaro decidiu denunciar a indecência do Carnaval.
A revista diz que “o texto que acompanhava o vídeo foi escrito pelo próprio presidente e aprovado, com entusiasmo, pelo filho Carlos”.
Depois da péssima repercussão do seu esparramo indecente, JB procurou minimizar seu gesto, conta a Veja, dizendo que logo todos esqueceriam o assunto e que “a postagem teria partido” do filho Carlos.
Numa ou noutra versão, escolha o pior: a imundície ser um rompimento da barragem de escatologia da mente do ex-capitão ou ele ser um covarde capaz de atirar no colo do próprio filho a escandalosa repercussão de algo assim.

Cobra

Dieese: PEC de Bolsonaro prejudica a todos. E mais ainda às mulheres.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômico, que todos conhecemos como Dieese, divulgou hoje uma Nota Técnica em que analisa como as mulheres serão especialmente pela reforma da Previdência, tal como ela está agora para ser apreciada pela Câmara dos Deputados:
As mulheres serão (…)afetadas tanto pela elevação da idade mínima quanto pelo aumento do tempo mínimo de contribuição e, mais ainda, pela combinação desses requisitos. Para piorar o cenário, a reforma ainda as penalizará, sem distinção, com perdas significativas nos valores dos benefícios, em função de alterações nas regras de cálculo. Também as regras de transição impõem às mulheres maiores dificuldades para acesso aos benefícios quando comparadas com as regras atuais e com as regras de transição da PEC 287 [a reforma de Temer]. E isso não é tudo. Além das mudanças previstas na aposentadoria, a PEC 06/2019 também propõe restringir os valores e as atuais regras de acesso às pensões por morte, ao acúmulo de benefícios e ao BPC. Em todas essas situações, as mulheres são o público majoritário e serão, por isso, mais atingidas do que os homens.
O estudo traz dados devastadores sobre a formalização do trabalho feminino e sua proteção previdenciária: mais da metade (52,7%) não estava inserida na força de trabalho e, entre as que estavam, também a metade (47%) trabalhava sem carteira de trabalho ou por conta própria, o que reduz o índice de contribuições previdenciárias. Tanto que, entre 40,8 milhões de mulheres ocupadas, 14,5 milhões (35,5%) não contribuíam com o INSS ou Institutos de Aposentadoria públicos. Pior ainda entre as trabalhadoras domésticas (62% sem cobertura) e as que trabalham por conta própria (68% assim).
O estrago não é menor sobre a maioria feminina entre os beneficiários por pensão por morte ( 83,7% são mulheres) e os que percebem o Benefício de Prestação Continuada (mulheres são três quintos). Tanto no BPC, com o aumento da idade condicional a que se receba o salário-mínimo para 70 anos, quanto nas pensões por morte o efeito é terrível para as mais idosas: nada menos de um quarto das mulheres com 65 anos ou mais são pensionistas.
O estudo do Dieese traz, também uma simulação do que acontece com uma professora ensino básico público – a professorinha que muitos de nós tivemos. Elas são nada menos que 80% do total de 2,2 milhões de docentes deste país.
Olhe lá em cima a crueldade que é fazer alguém ter de trabalhar até 10 anos a mais para receber o que receberia pelas regras atuais.
Espero que ninguém acredite que a Professora Helena do exemplo da ilustração, seja uma “privilegiada”, como diz Bolsonaro.
A íntegra do estudo está aqui.
OSSOS

O Brasil virou a Casa Verde de “O Alienista”

A Casa Verde, para quem não teve o deleite de ler as peripécias de Simão Bacamarte, imaginadas por Machado de Assis no genial O Alienista, era o asilo de loucos estabelecido em Itaguaí que acabou sendo o destino generalizado, muito mais do que dos lunáticos, dos “homens de bem” da sociedade local.
Só assim para tentar entender a última “treta” governamental, a ordem de Olavo de Carvalho para que seus pupilos deixem o Governo, como reação aos “traidores” de Bolsonaro que estariam controlando seu governo. Traidores que, segundo ele, seriam os militares, que estariam “tucanizando” o governo do ex-capitão por estarem entre outras coisas, enfeitiçados pelas “luzes, câmeras e gostosas repórteres”.
“Qualquer repórter BUNDA coloca generais brasileiros de joelhos. Se for mulher, então, coloca-os de quatro”
É o guru do presidente e de seus filhos, não nos esqueçamos, alguém que jamais teve deles senão elogios e reverências.
Fosse um de nós, “esquerdopatas”, era caso de Segurança Nacional.
Mas, com Olavo e os “meninos” presidenciais, sai barato. “Beijinho, beijinho” de Hamilton Mourão e nada mais.
Nem lembra o valentão que pregava a derrubada do governo constitucional quando Dilma estava no Governo.
Estão todos falando fino.
Que Olavo de Carvalho vá para a Casa Verde, vá lá. O terrível é ver toda uma geração do Alto Comando das Forças Armadas embarcar nesta evidente sandice que se tornou o poder no Brasil.
Nunca um complemento à aposentadoria valeu submeter-se a tamanha humilhação.

Guerra do Olavo: ‘guru’ envolve Guedes em ‘lobby’ privado

A guerra do estranhíssimo “guru” dos Bolsonaro, o astrólogo e devedor do Fisco Olavo de Cavalho, lançou estilhaços fumegantes em áreas mais do que delicadas para o Governo Bolsonaro: o até agora intocável ministro da Fazenda, Paulo Guedes.
Esta madrugada, Olavo, no Facebook, postou o gráfico do que seria a suposta relação entre o valor das ações das empresas que controlam universidades privadas e o início do processo de demissão dos “olavetes” do Ministério da Educação, os quais ele mesmo exortou a deixarem os cargos.
Ele reproduz texto de Silvio Grimaldo, até agora assessor especial do Ministro Ricardo Vélez, onde se diz que ” uma importante lobista foi ao MEC pedir peloamordedeus para pegarmos leve, pois “o mercado estava derretendo” com o anúncio da tal “Lava Jato da Educação” Segundo ele, “o Vélez a mandou pastar”. E que depois da “derrota” de Olavo, as ações Kroton, uma das gigantes da educação superior privada teriam se recuperado da desvalorização.
Olavo ratifica o argumento e escreve que “a Estácio também, depois de dias em queda, se deu bem com fim dos olavetes do MEC. Só hoje recuperou 8% do seu valor na bolsa depois de derreter com o anúncio da Lava Jato da Educação”.
A acusação a “uma lobista” tem endereço certo: Elisabeth Guedes, irmã do ministro da Fazenda e vice-presidente da Associação Nacional de Universidades Privadas (Anup). A Anup estaria interessada em passar o ensino superior  para o Ministério da Ciência e Tecnologia e liberar orçamento do MEC para planos privatistas para a a educação básica, especialmente com a criação de “vouchers educacionais”, através dos quais, em lugar a ampliar as escolas públicas, o governo distribuiria “vales” para custear o ensino em escolas privadas.
A idéia, claro, tem o aval de Paulo Guedes, desde antes da posse de Bolsonaro, como você pode ler aqui e aqui.
Talvez seja preciso, de fato, uma “Lava Jato da Lava Jato da Educação”. Mas a blindagem em torno de Guedes, um dos “heróis” do bolsonarismo ainda não enlameados deixará?

É A CRISE, JUNTO COM A CRIATIVIDADE...

ENQTOUBER

Mangueira: os livros não contam e a TV pública não mostra

Lê-se na Folha que a a TV Brasil não transmitirá o desfile das escolas campeãs.
De nenhuma, é verdade, mas deve-se ler: da Mangueira, com seu alegremente cáustico enredo sobre os excluídos.
Nenhuma razão de “programação”, como alega a sua direção: de 21:30 h às três da manhã repetirá alguns dos  Verão Show, programa do final de 2018.
Como também nenhuma razão “comercial”: como a Globo, detentora dos direitos de transmissão só passa “flashes” do desfile das campeãs, cede as imagens para quem queria ver na íntegra pela TV Brasil.
Grátis, isso dá à emissora alguns de seus melhores desempenhos em audiência.
Mas para quê, nesse Brasil de hoje, falar dos quilombolas “de sete arrobas”, dos negros “da malandragem” e dos “índios da indolência”, como dizia o General Mourão. Ou da Marielle que os deputados do partido bolsonarista vilipendiam quebrando placas em sua homenagem?
O carnaval, como se sabe, é agora, na versão oficial, aquela Sodoma desvairada que o presidente tuíta.
Que, com ou sem TV, não se privará de mandar o algoz das liberdades para onde o mandou no Carnaval.
pregafitness

Lage: no governo, circo e palhaço; no país, a ruína; na cadeia, a honra

Só o investimento estatal pode repor em marcha a economia brasileira – e não é preciso ser economista para perceber isso: financiar a construção de casas, ferrovias, estradas de rodagem, portos, usinas núcleo e hidroelétricas, dutos e refinarias de petróleo; a ação social e a cultura do país, que o povo guarda para seu carnaval.
Não há outro caminho – pois não há caminho.
O capital externo compra ativos e guarda – do Matte Leão à Phebo – e aplica fundos em lojas de varejo: milhares de farmácias, por exemplo. Começou a desmontar indústrias de montagem – tomara que não faça o mesmo, amanhã, e desacabe as de acabamento.
Não temos futuro, também, como exportadores de commodities. Somos vassalos políticos de um concorrente mais forte que, na melhor das hipóteses, agregará nossa agropecuária à deles, como for de seu melhor interesse, no volume e nos esquemas de comercialização.
Bens minerais de nada valem, se não somos capazes de gerir e proteger nossas reservas – pelo contrário, somos a puta oferecida do mercado mundial. Não temos força política para calar os que vão ocupando a Amazônia verde nem força armada para proteger poços de petróleo da Amazônia azul, que já não são nossos.
Há iminente revolução tecnológica – não é por aqui.
Há um pujante socialismo de mercado – que causa horror.
Somos a orgulhosa craca no casco do Titanic.
No Ministério da Economia, uma caricatura de múmias de Chicago contempla a carniça e baba.
No governo, um circo.
Na presidência, o palhaço.
Na cadeia, a honra nacional, que se preserva do striptease moral dessa gente toda.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Quem paga a reforma de Guedes?

Se você anda em dúvidas com esta história de que a Reforma da Previdência, como dizem os jornais, tem algum caráter “Robin Wood”, tirando dos ricos para dar aos  pobres, é bom olhar este gráfico ublicado pelo Estadão, com dados do Ministério da Fazenda sobre de onde verá o trilhão e pico de economia que pretendem fazer em 10 anos. Ou melhor, que fariam, se a proposta não fosse ser ainda muito mexida.
Um total de R$ 897 bilhões viriam dos trabalhadores privados, somando-se a redução dos proventos generalizada pelo fator agora inescapável senão por 40 anos de contribuição, a mudança no cálculo do benefício, o aumento de tempo de contribuição para as aposentadorias por idade e rurais, a redução das pensões e das aposentadorias por invalidez, os benefícios menores a idosos e deficientes e o fim do pagamento do abono do PIS para trabalhadores entre um e dois salários mínimos de renda mensal.
Ou R$ 870 bilhões, descontando-se a tal redução das alíquotas contributivas.
Isso dá 75% do volume de recursos que deixará de sair, nas contas do governo. Três em cada quatro reais.
Já os servidores públicos, entre aumento de idade e de alíquotas descontadas, pagará 17,5% da conta. Verdade que é muito menos gente, mas com uma média de valores de aposentadorias e vencimentos muito maiores para aguentar contribuições maiores.
Tanto que, do déficit atual, previsto para cerca de R$ 308 bilhões, cerca de 30% correspondem ao setor público (civis e militares, em parcelas quase iguais) e 70% aos trabalhadores do regime geral, incluídas aí aposentadorias, aposentadorias rurais, pensões e tudo o mais.
Os militares, ainda a se confirmar com a proposta que não foi enviada, arcariam com perto de 8% da conta, embora com um rombo em suas conta quase igual ao do funcionalismo civil.
A distorção, porém, é maior que essa.
Parao  trabalhador privado, todo o tempo, mas sobretudo a partir de certa idade, a falta de oportunidade de emprego é dramática. Há muito passou o tempo do trabalhador “com 20 anos de casa”, num país que “roda” por ano um terço de seus trabalhadores. O servidor público, civil ou militar, não vai ser dispensado aos 50 anos, nem vai ter “buracos” de contribuição em sua folha previdenciária.
Mas o trabalhador em geral, quanto mais humilde for, mais tenderá a cair na exclusão previdenciária e vai, lá no fim da vida, engrossar a filha do benefício aos idosos sem aposentadoria.
Roba-se-lhe o que resta de futuro, mas rouba-se também a dignidade.

A incrível omissão do governo no caso da Ford

É inacreditável a inércia do governo brasileiro no caso do anunciado fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo.
Para entender a importância disso basta imaginar o inverso: a festa que os governantes estariam fazendo se a montadora, em lugar de fechar, estivesse abrindo uma fábrica.
Mas não temos Ministro do Trabalho  para defender os 3 mil trabalhadores que, de boa-fé, fizeram um acordo em maio do ano passado para ter, entre outras vantagens, estabilidade no emprego.
Também não temos ministro da Indústria e Comércio, que pressione a empresa pelos benefícios tributários que recebeu a fim de funcionar e crescer.
Sequer temos um presidente disponível para falar com a alta direção da empresa, aqui e lá na matriz americana para reverter essa decisão que, noticia-se está ligada à intenção do CEO da empresa,  Jim Hackett  de reduzir ao máximo a empresa, acabando com os prejuízos e investindo onde há perspectiva de lucro.
O presidente está ocupado, tuitando.
Vrdade que o governador de São Paulo se mexeu, mas com uma história estranhíssima de vender a planta a outra montadora, diz-se que à GM, outra que anunciou  o fechamento de fábrica no Brasil, não faz muito, em janeiro.
Montadora de automóvel, quando diz que vai fechar, o faz por duas coisas: quer vantagens fiscais ou não acredita na expansão dos negócios e acha que faz melhor com uma estrutura menor.
Coisa estranha para quem diz que estamos senão em plena, às portas de uma retomada que, asim que os velhinhos estiverem com sua miséria garantida, vai despejar dólares e dólares sobre o Brasil.

Torres Freire: a reforma da crueldade

Na Folha de hoje, Vinícius Torres Freire analiasa a “A reforma dos pobres e miseráveis“.
A reforma da Previdência para os pobres ou quase miseráveis tem razões que o coração desconhece.
Estamos falando aqui de idosos e deficientes muito pobres e trabalhadores rurais. A reforma Bolsonaro-Guedes deve ser podada por aí.
Para pensar um pouco no problema, é preciso considerar alguns dados básicos sobre o sistema de assistência social bancado pelo governo federal.
O Bolsa Família paga em média R$ 187,56 por mês a cada uma das 13,9 milhões de famílias miseráveis atendidas pelo programa (quase 50 milhões de pessoas). Na conta para o ano inteiro, custa pouco mais de R$ 31 bilhões.
O INSS paga benefícios a idosos de 65 anos ou mais e a deficientes muito pobres de qualquer idade.
Chamados de BPC (Benefício de Prestação Continuada), atendem cerca de 4,7 milhões de pessoas, 43% delas idosas, que recebem um salário mínimo mensal (R$ 998, em 2019). A conta anual foi de R$ 57 bilhões em 2018.
Na reforma Bolsonaro-Guedes, idosos muito pobres teriam direito a BPC a partir de 60 anos, mas de apenas R$ 400 por mês. A partir dos 70, um salário mínimo. Há grita quase geral.
A disparidade dos valores de BPC e Bolsa Família ajuda a entender a lógica de fundo da reforma, embora não a sua implicação ou justificação prática imediata.
A questão é: como se trata de assistência social para gente quase tão igualmente miserável, por que não equilibrar os sistemas? Por que não pagar benefícios parecidos para idosos e crianças (beneficiárias do Bolsa Família)? No entanto, o Bolsa Família não vai aumentar mais.
A conversa fica mais complicada quando se trata também da Previdência rural. É na prática um programa de assistência, pois os beneficiários contribuem com quase nada.
Dos aposentados rurais, apenas 0,3% se aposenta por tempo de contribuição, 7,5% por invalidez e o restante por idade. Na reforma Bolsonaro-Guedes, a idade vai aumentar e, ao que parece, vai ser mesmo exigido o muito difícil tempo de contribuição de 20 anos.
Se for para valer, as novas aposentadorias rurais cairiam quase a zero. Elas representam uns três quartos da despesa previdenciária rural total, que foi de mais de R$ 125 bilhões em 2018 (inclui pensões e outros auxílios), pagos a 9,5 milhões de pessoas.
Primeira pergunta: tem cabimento pagar menos de R$ 998 a essas pessoas?
Segunda: mas tem cabimento pagar R$ 187,56 para famílias com crianças?
Terceira: por que não pagar mais para o Bolsa Família e apenas um pouco menos para o restante da assistência (que em boa teoria e prática deve pagar menos que a Previdência)?
Os BPC representam 10% do valor total dos benefícios pagos e afetados pela reforma (excluído o abono salarial); vão custear uns 8% da economia da reforma. Parece proporcional, mas não é, pois se trata de gente muito pobre.
Como evitar o talho nos mais pobres? Mesmo mais imposto apenas atenuaria de leve o problema.
O sistema de assistência brasileiro foi montado em camadas arqueológicas, de partes incongruentes, e causa iniquidade mesmo entre miseráveis. O sistema de Previdência, por sua vez, privilegia os mais ricos, servidores em particular. O sistema tributário privilegia ricos e muitos ricos.
Está tudo errado, e o país decidiu (ou parece que decidiu) consertar parte do problema em um momento de colapso financeiro dos governo e estagnação econômica de gravidade secular.
A solução disso é quase uma guerra civil por outros meios.

A Val do “01” complica mais a vida de Flávio Bolsonaro

A Istoé que está indo às bancas traz o que faltava para comprovar que as ligações de Flávio Bolsonaro com milicianos iam além das homenagens feitas por ele na Assembleia Legislativa.
Valdenice de OliveiraMeliga, irmã dos gêmeos Alan e Alex Rodrigues Oliveira, ambos presos, era lotada no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro e tão próxima a ele que assinava cheques de despesas de sua campanha ao Senado.
Diz a reportagem, assinada pelo repórter Wilson Lima, que Val “pode se tornar “nitroglicerina pura” para Flávio Bolsonaro. Ela é uma das pontas de um intrincado novelo que une as duas maiores fragilidades que hoje fustigam o lho do presidente da República e seu partido, o PSL: além do envolvimento com as milícias do Rio de Janeiro, o uso de supostos laranjas e expedientes na campanha para fazer retornar ao partido dinheiro do fundo partidário”.
Afinal, os cheques da campanha de Flávio assinados por Valdelice eram destinados a outra das responsáveis pelas contas da campanha, também servidora do gabinete na Alerj, Alessandra  Ferreira de Oliveira, que também recebia dele e de mais 35 candidatos do PSL fluminense por “serviços de contabilidade”.
A história fica cada vez mais feia.
Na capa do Estadão de hoje, a confirmação da notícia que reproduzi aqui há dois dias sobre a inacreditável história  contada pelo PM e assessor de Flávio Bolsonaro sobre os repasses que fazia para o ex-PM e colega de gabinete Fabrício Queiroz, o das milionárias movimentações financeiras.
A desculpa é que ele repassava R$ 4 mil dos R$ 6 mil que recebia para Queiroz, que os “devolvia , sem pre, de R$
4.500 a R$ 4.700, em espécie, como retorno do negócio, em aproximadamente um mês”, alegando que se tratava de negociação de veículos.
Assim que o Queiroz aparecer, vou aplicar com ele qualquer economia que tenha, porque 17,5% em um mês, limpos, nem o “El Chapo” paga.

Dilma: Bolsonaro curva e submete o Brasil a Trump

Artigo da ex-presidenta Dilma Rousseff, em seu site:
O Brasil curvou-se e submeteu-se aos interesses do governo Trump, ao aceitar participar do falso confronto da “ajuda humanitária” com a Venezuela, enviando alimentos e sobretudo tropas para a fronteira. É uma ação deliberada e panejada, desde a indicação de um general de nossas Forças Armadas para integrar o Comando Sul do exército americano, órgão responsável por inúmeras intervenções militares. Estamos vivendo e iremos viver, nos próximos dias e até sábado, um perigoso agravamento da crise. Um momento de profunda gravidade diante da ameaça do governo Trump de entrar na Venezuela de qualquer jeito, usando o álibi da ajuda humanitária.Tudo isso se combina com o envio de tropas de alguns países para a fronteira venezuelana, inclusive tropas brasileiras.
Assim, o Brasil abaixa a cabeça e se submete ao interesse do governo americano em usufruir do petróleo venezuelano e aceita trazer para o nosso continente um conflito armado, contrariando todos os nossos princípios de não-intervenção e respeito à soberania das nações. Ontem, a decisão da Venezuela de enviar tropas e fechar a fronteira com o Brasil foi mais um passo, ainda que defensivo, nesta escalada bélica.
Devemos deixar claro que esta posição do governo Bolsanaro traz gravíssimas consequências, em caso de guerra. Em especial, a tragédia da perda de vidas humanas de cidadãos brasileiros, latino-americanos e americanos.
Se na campanha o atual presidente chegou a prestar continência à bandeira americana, agora o passo é mais sério. Lembremos que, dias depois da nomeação do general brasileiro para integrar unidade do exército americano, o Almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, foi recebido em Brasília pelo chanceler brasileiro e por comandantes militares, para conversar sobre a intervenção na Venezuela.
O almirante Faller, conforme a imprensa, cobrou incisivamente a participação do Brasil, pedindo que se una aos Estados Unidos contra os países que considera inimigos globais – Rússia, China e Irã – e seus inimigos no continente americano – Cuba, Nicarágua e Venezuela.
Ao aceitar o papel de parceiro coadjuvante nesta estratégia bélica global dos Estados Unidos, o governo Bolsonaro joga no lixo o respeito conquistado pelo Brasil como nação defensora da paz, do multilateralismo e do respeito à soberania de todos os povos. Além disso, provoca uma crise diplomática sem precedentes, e assume o risco de nos envolver numa aventura militar contra um país com o qual temos 2.190 km de fronteira e que contará, em caso de confronto armado, com apoio militar da China e da Rússia.
A estratégia geopolítica norte-americana para a América Latina, sobretudo depois da posse de Trump, tem sido o desmantelamento das experiências democráticas do continente, por qualquer método disponível: golpes parlamentares-judiciais; aliciamento e influência sobre as eleições, como no Brasil de Bolsonaro; ou, se for inevitável, por meio de bloqueios e intervenção militar, como na Venezuela, Cuba e Nicarágua.
O Brasil não pode se subordinar a isto. Desde a proclamação da República, o Brasil sempre adotou como princípios em suas relações internacionais a defesa da paz e da não-intervenção Agimos desta maneira no Haiti, no Líbano e no Iraque, por exemplo. O Brasil contemporâneo sempre serviu em missões de paz, nunca em ações de guerra.
Nessa hora grave que estamos vivendo, esperamos que as nossas Forças Armadas tenham como diretriz a Estratégia Nacional de Defesa, aprovada pelo Congresso Nacional, que estabelece como princípios norteadores: ”O Brasil é pacífico por tradição e por convicção. Vive em paz com seus vizinhos. Rege suas relações internacionais, dentre outros, pelos princípios constitucionais da não intervenção, defesa da paz, solução pacífica dos conflitos e democracia.”
Trump é a liderança mais agressiva da extrema-direita no mundo. O próprio último diretor interino do FBI, Andrew McCabe, disse que Trump quer a guerra com a Venezuela porque “eles (a Venezuela) têm todo aquele petróleo”. Ao submeter o Brasil ao risco de um conflito armado, Bolsonaro já é a versão caricata e submissa do presidente norte-americano. E, como disse o grande Machado de Assis, vai ficar com as batatas.