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sábado, 6 de agosto de 2016
O Brasil pode conviver com um presidente clandestino?
POR FERNANDO BRITO · 06/08/2016
É inacreditável que alguém possa achar normal que um presidente da república de um dos maiores países do mundo tenha de se recolher a uma quase clandestinidade, por saber que, mesmo nos momentos de mais alegria e fratenidade – como a abertura dos Jogos Olímpicos, ontem – vai ser hostilizado pela população.
Mais inacreditável é que a imprensa ou participe ou ache “normal” que o chefe de Estado se homizie através de truques e arranjos.
Há, porém, uma conclusão que não é tão evidente quanto o golpe e a co-autoria cúmplice da mídia.
Este homem não pode ser presidente da República, porque a sua falta de legitimidade pública e isso o torna perigoso como tornou José Sarney quando a morte de Tancredo o levou ao poder.
Só através de uma ditadura explícita isso poderá continuar, porque a realidade brota, até mesmo nas bem ensaiadas e controladas imagens da mídia.
Com Temer no Governo, só há dois caminhos: ou o caos ou a aventura.
E ambos os caminhos levam ao desastre.
ODEBRECHT IMPLODE TEMER COM ENTREGA DE R$ 10 MILHÕES EM DINHEIRO VIVO

O governo provisório de Michel Temer está chegando ao fim; além da pesquisa Vox Populi que revelou que apenas 17% dos brasileiros querem que ele fique até 2018 e da vaia de 105 decibéis registrada na abertura da Rio 2016, ele foi um dos principais nomes delatados por Marcelo Odebrecht em sua colaboração premiada; Marcelo revelou que, após uma reunião no Palácio do Jaburu, Temer, como vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, pediu uma ajuda extra ao partido, que foi entregue em dinheiro vivo: nada menos que R$ 10 milhões, dos quais R$ 4 milhões teriam sido entregues a Eliseu Padilha, braço direito do interino; o restante foi doado ao caixa dois de outros candidatos
6 DE AGOSTO DE 2016 ÀS 09:01 // RECEBA O 247 NO TELEGRAM 
247 – O governo provisório de Michel Temer está chegando ao fim. Motivo 1: uma pesquisa Vox Populi, divulgada no sábado pela revista Carta Capital, revelou que 79% dos brasileiros defendem sua saída (leiaaqui). Motivo dois: Temer recebeu ontem, na abertura da Rio 2016, uma das maiores vaias da história, que atingiu 105 decibéis, mesmo tendo pedido para não ser citado na nominata das autoridades presentes (leia aqui). Motivo três, e mais importante: o interino é um dos principais personagens da delação premiada de Marcelo Odebrecht, maior empreiteiro do País, que começou a ser feita na última quinta-feira.
De acordo com reportagem de Daniel Pereira (leia aqui), Temer, na condição de vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, promoveu um jantar com Marcelo Odebrecht, em que pediu ajuda extra para os candidatos do partido. Marcelo concordou e doou nada menos R$ 10 milhões, via caixa dois, em dinheiro vivo.
Desta montanha de dinheiro, R$ 4 milhões foram entregues ao braço direito de Temer, Eliseu Padilha, que é o atual chefe da Casa Civil. O restante foi doado a outras candidaturas, como a de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que concorreu ao governo de São Paulo, em 2014.
Em nota, o interino confirmou o jantar, mas disse que ele e o empresário conversaram “sobre auxílio financeiro da construtora Odebrecht a campanhas eleitorais do PMDB, em absoluto acordo com a legislação eleitoral em vigor e conforme foi depois declarado ao Tribunal Superior Eleitoral”.
Em 2014, a Odebrecht repassou R$ 11,3 milhões ao PMDB, mas Marcelo pretende provar que, além desses recursos, também doou outros R$ 10 milhões, via caixa dois, ao partido.
Eliseu Padilha também confirmou a negociação. “Lembro que Marcelo Odebrecht ficou de analisar a possibilidade de aportar contribuições de campanha para a conta do PMDB, então presidido pelo presidente Michel Temer”, afirmou.
Além de Marcelo, outros 50 executivos da empreiteira farão delações premiadas – o que deve implodir todo o sistema político brasileiro.
Os outros jogos: os vorazes, do capital contra o trabalho. Adeus, direitos!
POR FERNANDO BRITO · 06/08/2016
Enquanto, com todo o direito, o povo brasileiro celebrava sua história e sua alegria na abertura da Olimpíada, outros jogos estão sendo aberto,s quase em silêncio.
O Globo traz hoje o que será a reforma trabalhista do governo golpista.
Tudo será negociado entre aquele que tem todo o poder e os representantes daqueles que só têm a força de trabalho, porque nem mesmo emprego hoje lhes é garantido.
Tudo passa a ser objeto de acordo: férias, 13º, duração da jornada de trabalho e até mesmo os intervalos para almoço e lanche.
Querem chegar àquela vontade expressa pelo empresário Benjamim Steinbruch, do trabalhador comer o sanduíche com uma mão e trabalhar com a outra!
Diz a reportagem de Geralda Doca, em O Globo:
Não é preciso me alongar aqui sobre a força que cada lado tem numa negociação, desequilíbrio que é ainda maior num quadro onde conservar o emprego já é uma grande vitória.
O espantoso – ou nem tanto – é que existem setores do movimento sindical – em geral, suas elites – que acham muito bom poderem negociar tudo.
Mentira e traição.
A lei trabalhista não impede nenhum benefício a mais.
Intervalos no trabalho não são lazer, do qual se possa abrir mão. São ferramentas necessárias para a saúde e a segurança do trabalhador.
Qualquer pessoa pode ir lá na CLT e ler no artigo 71 que o intervalo, quando a jornada excede seis horas, é para repouso ou alimentação. Um “gravatinha” pode até dispensar 15 minutos de sua hora , mas imagine um trabalhador da construção civil almoçando em meia hora e em seguida voltando a carregar sacos de cimento ou baldes de concreto…
E é mentira que não possa ser reduzido, se a empresa oferecer e comprovar perante o Ministério do Trabalho, que oferece boas condições para isso (§ 3º). Como é mentira que essa hora não possa ser trabalhada excepcionalmente, sendo paga com o adicional de 50% igual ao da hora-extra, o que ela é, de fato.
Sindicalista que entrar nessa, em nome de “aumentar o poder de negociação” vai ser visto como quem está vendendo o direito dos trabalhadores. Quando não o de suas próprias categorias, o dos trabalhadores sem “poder de fogo” sindical, dispersos, cuja única garantia é a lei que, há mais de 70 anos, Getúlio Vargas fez para defendê-los.
Aqueles que não têm sindicato para brigar e que só podem correr atrás de seus direitos quando são demitidos, porque reivindicar, para eles, é o próprio olho da rua!
Serão tão canalhas quanto os que querem fazer o trabalhador brasileiro voltar a condições escravocratas, não importa se cobertos por um “acordo sindical”.
Modernidade é valorização da vida humana, não a sua redução a ferramenta descartável do dinheiro!
SINGER: MEIRELLES É O QUE MANTÉM TEMER NO PODER

"As graves acusações da Lava Jato que assombravam Temer antes da posse deram em nada. Para completar, Sergio Machado afirmou, na sua delação premiada, que, em 2012, Temer teria pedido propina de R$ 1,5 milhão para financiar a campanha de Gabriel Chalita, então candidato a prefeito de São Paulo pelo PMDB. Por que nada, até aqui, cola no vice em exercício? Porque tem o apoio derivado do motor em dois tempos ligado por Meirelles", diz o colunista André Singer
6 DE AGOSTO DE 2016 ÀS 07:33 // RECEBA O 247 NO TELEGRAM 
247 – A âncora do interino Michel Temer até agora se chama Henrique Meirelles, diz o colunista André Singer, no artigo A velha magia.
"As graves acusações da Lava Jato que assombravam Temer antes da posse deram em nada. Para completar, Sergio Machado afirmou, na sua delação premiada, que, em 2012, Temer teria pedido propina de R$ 1,5 milhão para financiar a campanha de Gabriel Chalita, então candidato a prefeito de São Paulo pelo PMDB. Por que nada, até aqui, cola no vice em exercício? Porque tem o apoio derivado do motor em dois tempos ligado por Meirelles", diz ele.
Singer, no entanto, afirma que Meirelles não produziu nada de concreto até agora. "Em relação à economia, o ministro Henrique Meirelles teve a habilidade de não praticar nada, com a aparência de estar realizando tudo. Explico. O nó górdio consistia em aprofundar o ajuste fiscal sem com isso deprimir ainda mais uma economia que caminha para o terceiro ano de estagnação/recessão. Meirelles cortou o nó, atuando em dois tempos", diz ele. "De imediato, não houve redução de despesas. Pelo contrário, abriu-se espaço para gastos extras, que contentaram o Congresso, setores do funcionalismo e governadores. Em compensação, se enviou ao Parlamento um plano de longo prazo que, se passar, será 'a primeira mudança estrutural na questão da despesa pública desde a Constituição de 1988."
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