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quinta-feira, 8 de maio de 2014
"CRÔNICA DE UMA PERSEGUIÇÃO CONTINUADA"
TEXTO ESCRITO POR: Miguel do Rosário,EM 07/05/2014 – 7:38 pmk
A podridão da imprensa linchadora continua exalando seu cheiro insuportável, com apoio, infelizmente, de elementos importantes do Ministério Público e do Judiciário.
Publico abaixo duas notícias desalentadoras. O PGR chancela mais uma farsa midiática, ao dizer que “vê indicativos bastante claros” de que os condenados da Ação Penal 470 recebem “tratamento diferenciado”. Sim, doutor, recebem. Dirceu foi condenado a semi-aberto e está em regime fechado. O senhor mesmo já deu parecer em favor do trabalho de Dirceu, e Barbosa continua adiando.
Para agradar a mídia, contudo, Janot solta essa nota, com observações ridiculamente subjetivas, porque baseada em “indícios” que na verdade não existem. Janot chancela a história da “feijoada”, que nada mais era do que uma latinha de feijão que Delúbio comprou na cantina da Papuda, para comemorar seu aniversário ou coisa assim.
Será que Janot não viu que foram divulgadas fotos de Dirceu na Veja, o que violou sua privacidade? Que um assessor do PPS filmou o deputado, novamente violando sua privacidade? Isso não lhe diz nada sobre a situação de Dirceu na cadeia, exposto a todo o tipo de riscos inerentes a uma pessoa pública que continua sendo massacrada diuturnamente pela grande mídia? Que raios de regalias são essas?
E agora Dirceu terá a companhia de um homem com estado grave de cardiopatia, porque Barbosa escolheu 4 médicos violentamente antipetistas para escrever um relatório sobre a saúde do ex-deputado. Que regalias são essas? Não fosse a pressão midiática, qualquer médico recomendaria a prisão domiciliar para Genoíno.
É triste ainda ver o procurador tomando posição contra o governador do DF, num embate em que o governador foi o agredido, tanto pelo juiz Bruno Ribeiro, quanto por Joaquim Barbosa. O PGR tinha que se manter neutro nessa disputa, até porque não tem nada a ver com ele.
Vale a pena ler o segundo texto, um desabafo de Luis Nassif, cheio de indignação e revolta contra Joaquim Barbosa, que a cada dia se revela uma pessoa menor, um espírito mesquinho e vingativo, que vem alimentando um sentimento de justiçamento e truculência que só fazem mal ao Brasil.
O único ponto positivo que se pode tirar de notícias tão desanimadoras é que a truculência antipolítica patrocinada por mídia, STF e PGR, tem sido tão flagrante que agora estamos bem mais conscientes dos perigos de um golpe. E por estarmos mais conscientes sabemos que o campo progressista deve continuar pressionando o governo e o congresso para criarem instrumentos que reforcem o poder popular, para freiarmos o avanço de instituições não-democráticas aqui representadas por MP e Judiciário. Uma comunicação pública de qualidade, por exemplo, seria fundamental para fazer um contraponto à imprensa corporativa cada vez mais indiferente a qualquer escrúpulo ético relativo à isenção, à imparcialidade e à objetividade jornalística.
*
"SE NÃO ERGUEMOS A CABEÇA, PARA QUE A POLÍTICA?
Autor do Texto: Fernando Brito(Extraído do site TIJOLAÇO, em 05/05/2014)
Os últimos dias, afinal, têm sinalizado algo que, nos últimos meses, parecia perdido.
Porque o sentido de mudança foi transformado, pela imprensa deste país, num regressismo que não resiste a um sopro.
Então mudar o Brasil, retomar o desenvolvimento, combater a corrupção, tornar eficiente a máquina pública, reduzir a inflação e valorizar o salário é algo que a direita brasileira possa acenar ao nosso povo?
Eles, que nos deram a recessão dos anos 90, a liquidação do patrimônio público (vendido em condições obscuras), que entregaram o país com inflação de dois dígitos, que acham “alto demais” o salário-mínimo?
Mas, por paradoxal que pareça, começamos a aceitar o discurso da mídia de que “aqueles eram os bons tempos” e que o governo Dilma não iria “colocar em risco as conquistas do Plano Real”.
Aceitar o discurso do adversário é o primeiro passo para ser derrotado por ele.
Desde as manifestações de junho, embora Dilma tivesse ensaiado – e executado, nos campo de quatro dos “cinco pactos” que propôs na ocasião – uma reação, deixou-se de lado o combate político.
E quando se deixa o embate político perde-se um pouco a cada dia de nossa identidade.
Embora seja necessário – e demolidor – mostrar os números comparativos, é preciso agregar a isso um sentimento – plenamente presente em 2010 – de que este país tem futuro e que este futuro só não é presente exatamente porque o passado foi como foi.
A memória que o tempo atenua, o discurso político precisa reacender, para que o fluxo de informações entre as gerações fundamente o julgamento do presente.
E isso tem um imenso poder, tanto que se nota, agora, que Eduardo Campos começa a fazer ressalvas em sua identidade com Aécio Neves, porque percebeu que a velha direita estará toda unida em torno dele, a começar por FHC e um já não tão constrangido José Serra.
A eleição de 2014 não é um “passeio”, como se acreditou.
Nem é um desastre, como a mídia não cansa de apregoar.
Aécio não tem, a esta altura, o que Serra tinha.
Campos não tem- e nada indica que terá – aquilo que Marina Silva atingiu.
O problema do campo progressista é o de não ter, de novo, o que tinha.
Em parte, certamente, por parecer diferente do que foi, por não proclamar diariamente o que é.
Acaba-se, assim, negligenciando-se nosso próprio significado.
Nada deixa mais a direita irritada que Lula e Dilma romperem o seu monopólio de informação e falarem fora da pauta que a mídia lhes impõe.
É na batalha da comunicação que se perde ou ganha esta guerra por corações e mentes.
E é nela que o Governo Dilma – até agora – vinha tendo o seu pior desempenho. Não apenas por ser ruim, mas por achar que o ruim era o bom, com o abandono da polêmica pública.
O desafio de Dilma não é o de ganhar votos, mas o de recuperar seu significado.
"O BRASIL É A GENI ? OU COMO NÓS, VOLTARAM A FAZER DE "VIRA-LATAS"
Texto escrito por FERNANDO BRITO (Extraído do site TIJOLAÇO, em 06/05/2014)
A imprensa brasileira conseguiu – em boa parte pela inação do Governo e o acoelhamento da esquerda – transformar o Brasil numa espécie de Geni.
“Ela é boa de apanhar, ela é boa de cuspir”.
A imprensa brasileira e nossas elites legitimaram qualquer desaforo que se diga contra o nosso país.
A economia é um desastre, ainda que não haja sequer um único indicador desastroso em todos eles.
As lojas vendem, os táxis têm passageiros, os aviões lotam.
A Petrobras bate recordes de produção no pré-sal, mas está quebrada e acabada, embora suas ações estejam se valorizando. É o primeiro caso no mundo de valorização por CPI.
A Copa, ora a Copa, esta desgraça comemorada nas ruas, é a mãe de todas as tragédias, porque o Brasil deixou de ter escolas e hospitais “padrão Fifa” depois que construiu ou reformou uma dúzia de estádios, não é mesmo?
O debate voltou ao primarismo e, pior, ao “este país é uma merda, mesmo”.
É inútil dizer de novo que isso tudo acontece porque existe uma unanimidade na mídia.
Nem mesmo uma conspiração da mídia, porque é aberta e evidente.
Acontece porque a população não tem referências contra este “tsunami” catastrofista.
O governo Dilma aceitou o jogo do economês, como antes Lula, no seu primeiro mandato, aceitou o do juriquiquês.
Salvou-o, na prorrogação, a crença de que este é um país altivo e que quer ser dono do próprio destino.
Não há fórmula mágica senão a de levantar a cabeça e enfrentar, como parece ter sido percebido.
Mas tudo ainda no “politicamente correto”.
Como se o jogo adversário fosse “de cavalheiros” e não o da mais completa sordidez e “vale tudo”.
sábado, 12 de abril de 2014
"CRÔNICA DE UM ESTELIONATO ELEITORAL ANUNCIADO"
Por Fernando Brito(texto extraído do site: TIJOLAÇO, em 11/04/2014)
A repórter Júlia Duailibi publicou hoje, no Estadão, uma matéria que, em outro país, seria um escândalo .
Trata de como o Governador do maior Estado do País está “cozinhando” eleitoralmente a crise de abastecimento na sexta maior cidade do mundo.
“O Palácio dos Bandeirantes já definiu a estratégia que irá adotar caso haja rodízio de água, leia-se racionamento, antes da eleição de outubro: colocará a Sabesp na linha de frente do processo, atraindo todos os holofotes para a empresa, deixando na penumbra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. Na prática, Dilma Pena, presidente da Sabesp, dará a cara a tapa e assumirá todo o processo, principalmente de comunicação, sobre o eventual rodízio: fará os pronunciamentos públicos, tocará as campanhas, dará as entrevistas e declarações sobre o assunto. A política de redução de danos pretende deixar o governador como coadjuvante. É uma tentativa de evitar que, em plena campanha eleitoral, ele fique preso a uma pauta extremamente negativa para quem quer mais quatro anos de mandato. “(…)
“De acordo com os dados levados ao governador, a Sabesp ainda diz que é possível evitar o racionamento até novembro, ou seja, um mês depois da eleição. Data conveniente para os tucanos. “(…)“A Sabesp está controlando a vazão em algumas regiões”, admite um secretário de Alckmin.”
Corajosa matéria.
Mas, na prática, os comentários e editoriais dos jornais trabalham para confundir a população, misturando a falta d’água na Grande São Paulo com um risco de apagão elétrico nacional que está muito, mas muito mais distante.
Aos números,incontestáveis.
No dia 10 de março, o sistema elétrico nacional – que é interligado – tinha água equivalente 114.132 MegaWatt médios , de uma capacidade total de 288.790. Um mês depois, mesmo com um abril escasso de chuvas, tem 117.562 MWm.
Passou, portanto, de 39,7% do total para 40,7%.
Isto, mesmo com o prejuízo causado pela parada de Angra 1 de da Usina de Santo Antônio, com a cheia do Rio Madeira, ambas com retorno à operação previsto para o início de maio.
Ambas – a primeira, por ser termonuclear e a segunda, por estar parada justamente por excesso de água – obviamente, não dependem de chuva e somarão 1,5% à produção diária, aliviando as represas em pior situação.
Já o sistema que abastece metade da população de São Paulo, que não é interligado aos demais, tinha, há um mês, 16% de sua capacidade total. Hoje, tem 12,2% e amanhã baixará para 12%. E isso com um março, como você pode conferir no vídeo da Climatempo, com chuvas até ligeiramente superiores ao normal.
O bombeamento de água morta do fundo dos reservatórios vai adiar, mas não evitar uma crise de gravíssimas proporções, com implicações sobre a vida das pessoas e sobre a economia.
"REUTERS: PASADEMA FOI ÓTIMO NEGÓCIO"
Por: Miguel do Rosario(Texto extraído do site: tijolaço, em 12/04/2014
Uma matéria da Reuters, assinada por Jeb Blount, com base em opiniões de especialistas em petróleo de Nova York, Chicago e São Paulo, corrobora nossa argumentação, de que a compra da refinaria de Pasadena foi um ótimo negócio.
Diz o repórter: ”a refinaria de Pasadena pode ter sido o melhor negócio com refinaria que a empresa já fez em três décadas”.
Logo em seguida, o repórter explica que, na verdade, a Petrobrás não pagou um preço excessivo.
A matéria não é “chapa branca”. É feita por um repórter americano ou inglês com gana de falar mal da Petrobrás. Só que, após entrevistar especialistas em pelo menos três praças comerciais importantes, ele conclui que a Petrobrás pode ter mil outros problemas, mas não é Pasadena.
O foco da matéria é falar mal da refinaria Abreu Lima, que a Petrobrás está construindo em Pernambuco, comparando seus custos com a de outras refinarias no mundo. Só que o repórter mesmo admite que é difícil comparar refinarias. Uma coisa é construir uma refinaria numa área já dotada de logística e infra-estrutura. Outra é montar uma no meio do nada.
O repórter observa, além disso, que investigações sobre Abreu Lima podem trazer mais prejuízos a Eduardo Campos, candidato de oposição, do que a Dilma Rousseff.
Blount também observa que o preço de US$ 1,2 bilhão pago por Pasadena superestima o valor da refinaria porque inclui quase US$ 600 milhões em ativos não ligados à refinaria, como estoques, custos bancários e o braço comercial da Astra.
O preço pago pela Petrobrás pela refinaria em si, segundo a matéria, com base na avaliação de uma firma de Chicago, a Good and Margolin, foi US$ 486 milhões.
Entretanto, mesmo considerando os US$ 1,2 bilhão, trata-se de um valor que Pasadena poderá pagar em apenas cinco anos de operação, estima o jornalista, em virtude do fantástico momento vivido pelas refinarias norte-americanas, principalmente as situadas no Texas.
O novo boom de produção de petróleo de xisto nos EUA reduziu os custos da matéria-prima, e ao mesmo tempo o preço dos derivados está alto, por causa da recuperação econômica do país, de maneira que as margens de lucro das refinarias nunca foram tão altas.
Espero que os deputados e senadores que cometem o equívoco de não ler o Cafezinho, ou se lêem, de não acreditarem no que escrevo, apesar de trazer sempre a fonte, ao menos leiam a Reuters.
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Trechos da matéria
sexta-feira, 11 de abril de 2014 13:52 BRT Imprimir [-] Texto [+]
Por Jeb Blount, Reuters Brasil
SÃO PAULO, 11 Abr (Reuters) – A compra de uma refinaria nos Estados Unidos pela Petrobras por 1,2 bilhão de dólares virou tema de campanha eleitoral, com a oposição afirmando que a estatal pagou 20 vezes mais que o valor justo pela unidade no Texas e que Dilma Rousseff errou ao aprovar o negócio quando era presidente do Conselho da empresa em 2006.
A investigação, porém, está provavelmente mirando na refinaria errada: mesmo que a Petrobras tenha pago caro, a refinaria de Pasadena, com capacidade para processar 100 mil barris por dia, pode ter sido o melhor negócio em refino que a petroleira já fez em pelo menos três décadas.
(…) A Petrobras não quis comentar sobre Pasadena, pois está conduzindo sua própria investigação, mas José Sergio Gabrielli, que era presidente da Petrobras na época da aquisição, disse nesta semana que a compra de Pasadena foi “um grande investimento”.
(…) Para efeito de comparação, a saudita Aramco e a francesa Total construíram em Jubail (Arábia Saudita) uma refinaria para 400 mil barris diários por 10 bilhões de dólares, ou 25 mil dólares por barril –menos de um terço do custo da Rnest (refinaria do Nordeste, a Abreu Lima).
A chinesa Sinopec planeja concluir no ano que vem em Guangdong uma refinaria para 200 mil barris diários ao preço de 9 bilhões de dólares (45 mil dólares por barril), quase metade do custo da refinaria no Nordeste.
Em Port Arthur (Texas), a Aramco e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell gastaram 10 bilhões de dólares por uma refinaria para 350 mil barris/dia, o que também equivale a um terço do valor em Pernambuco.
Em nível mundial, refinarias novas para o processamento de petróleo pesado estão custando “no máximo” 38 a 45 mil dólares por barril, segundo um consultor de refino dos EUA que trabalhou em refinarias da América do Norte, Oriente Médio, América Latina e Ásia.
(…) As refinarias na costa norte-americana do Golfo do México, onde fica Pasadena, geralmente lucram cerca de 10 dólares por barril refinado, segundo Margolin, da Cowan and Company, e Alen Good, analista de ações de empresas de petróleo e refino na Morningstar, em Chicago.
(…) Com base no desembolso de 1,2 bilhão de dólares, a Petrobras provavelmente conseguiria reaver o investimento de Pasadena em cinco anos, segundo Good.
Isso pode se dever mais à sorte do que a um investimento inteligente. Quando a compra foi aprovada, em 2006, a Petrobras estava procurando formas de refinar seu petróleo nos EUA, pois havia a expectativa de que esse país passaria a comprar mais petróleo bruto do Brasil.
Desde então, o boom do petróleo de xisto nos EUA aumentou a demanda pelo refino de petróleo, tornando mais valiosas as refinarias na costa do Golfo.
A cifra de 1,2 bilhão de dólares também pode representar um valor superestimado em relação ao verdadeiro custo de Pasadena, já que o total incluía 595 milhões de dólares em outros itens, como uma parte do estoque de petróleo da empresa Astra já presente na unidade, além de multas e taxas legais. Good e Margolin disseram que esses custos deveriam ser excluídos da avaliação da refinaria.
Quando isso é feito, chega-se ao valor de 486 milhões de dólares pela refinaria propriamente dita, ou 4.860 dólares por barril –valor que pode ser recuperado em um ano de operação a plena capacidade. Ainda para efeito de comparação, 18 vezes menos que a Rnest.
“Faz pouco sentido se comover com Pasadena quando você considera o que a Petrobras está pagando mais pela capacidade de refino no Brasil”, disse Good. “Com esses preços, faz mais sentido para a Petrobras comprar refinarias nos EUA do que construí-las no Brasil.”
Gabrielli também questionou a cifra de 1,2 bilhão de dólares, alegando que na verdade a refinaria texana custou menos de 500 milhões de dólares.
GASOLINA POLÍTICA
Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora, de São Paulo, disse que os investigadores deveriam se voltar muito mais para a Rnest do que para Pasadena.
“Todas as refinarias da Petrobras são, de alguma forma, fora da norma, e tenho poucas dúvidas de que, se uma CPI for realmente instalada, isso vai aparecer muito claramente”, disse ele. “Houve uma séria má gestão.”
A refinaria Rnest surgiu de um acordo entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, da Venezuela.
A ideia inicial era que a unidade recebesse 60 por cento do petróleo do Brasil e 40 por cento da Venezuela, numa demonstração de amizade internacional e como forma de impulsionar a indústria regional.
Mas para lidar com petróleo venezuelano, que é mais pesado e com poluentes tóxicos do que o produto brasileiro, a Petrobras precisava de duas linhas de refino separadas, e por isso foi preciso acrescentar instalações adicionais.
Funcionários do governo já alertaram aos críticos de Pasadena que uma investigação mais ampla poderá respingar sobre eles próprios. Pernambuco, afinal, é um Estado que já foi governado por Eduardo Campos, ex-aliado e hoje rival eleitoral de Dilma. (…)
"A HIPOCRISIA DAS CPI E DO USO POLÍTICO DOS ESCÂNDALOS"
Por Luis Nassif(Texto extraído do site: blog do nassif, em 12/04/2014)
Provavelmente nenhuma das CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) anunciadas levará a nada, por uma singela razão: todas elas entram no coração do modelo de financiamento privado de campanha do país, o mesmo que elegeu a maioria dos parlamentares e governadores.
Os personagens são os mesmos que fornecem para a Petrobras, para o Metrô de São Paulo, para a Cemig de Minas, para o porto de Suape, em Pernambuco.
A CPI de Cachoeira acabou quando bateu nas relações Veja-Cachoeira e quando o diretor da empreiteira Delta ameaçou abrir suas listas. Em dois segundos, a CPI virou fumaça, abortada tanto pela oposição quanto pelo PT.
Agora mesmo, se o doleiro Alberto Yousseff abrir suas contas e soltar sua língua, não sobra um partido inteiro no país. Daqui a pouco estará livre, leve e solto como Carlinhos Cachoeira, o bicheiro que, em parceria com Veja, ameaçou a República e transformou uma figura apagada – o ex-senador Demóstenes Torres – no catão mais temido do país.
***
Esse modelo torto criou uma cadeia improdutiva da denúncia que visa tudo, beneficia a muitos, menos à moralidade pública. É de uma hipocrisia acachapante e oportunista.
Grandes grupos jornalísticos ou o jornalismo de Internet têm à sua disposição escândalos a granel, verdadeiros ou falsos, que são escolhidos como em gôndolas de supermercados. Quer atingir alguém, um grupo político adversário, uma empresa recalcitrante? Vá até a gôndola e escolha o que quiser. Se não houver grandes escândalos, basta dar um tratamento escandaloso a um pequeno problema e imediatamente se abaterá sobre a empresa ou o político a mancha da suspeita.
Confira-se o que foi o aumento das verbas publicitárias da Serasa, quando alvo de uma CPI.
Basta um relatório inconclusivo de Tribunal de Contas, uma manchete de jornal, um procurador pautado pela mídia para atingir o mais probo dos políticos ou administradores. Ou dobrar a mais recalcitrantes das empresas. É um poder sem limites.
Na Inglaterra, por muito menos, conservadores, liberais e trabalhistas, polícia e Judiciário se uniram para colocar no pelourinho o mais poderoso magnata da mídia da atualidade, Rupert Murdock.
Por aqui, uma revista é desmascarada em jogadas políticas e comerciais com uma organização criminosa e nada ocorre. O Congresso se apequena, o Ministério Público tergiversa, o Ministério da Justiça se cala. O STF acaba com o direito de resposta, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) monta um grupo para garantir a total liberdade dos grupos de mídia. E esquece-se das vítimas porque as vítimas, ah, deixe por conta da defensoria pública.
Resistir, quem há de? É uma mixórdia que beneficia os picaretas, por ficarem na companhia de inocentes; e estigmatiza para toda a vida os sérios.
***
Qualquer fato – verdadeiro ou falso – é empunhado contra o adversário político ou contra a empresa não colaborativa. E tudo é aceito porque o modelo político atual torna verossímil toda sorte de malfeitos - que existem às pencas sim. Mas pouco atingem os grandes grupos que se blindam com escritórios de advocacia caros e controles sobre verbas publicitárias robustas.
O que explicaria, por exemplo, os R$ 2 milhões gastos pelo Ministério da Educação com assinaturas da revista Nova Escola da Editora Abril? Meramente méritos da revista ou barganhas políticas em torno de reportagens? E qual a reportagem que deixou de ser publicada?
Daí a dificuldade de uma reforma política, com o fim do financiamento privado de campanha, que rompa com esse anacronismo. Ou de mudanças na legislação que permitam a punição severa ao crime grave mas a não criminalização de qualquer erro administrativo.
Aos atuais parlamentares não interessa o fim do financiamento privado de campanha, porque a maior parte deles depende desse modelo para sua sobrevivência política. Aos grupos de mídia e aos Tribunais de Conta não interessa uma racionalização dos procedimentos, pois reduziria sua capacidade de gerar escândalos.
***
E todo esse jogo de cena se dá em cima do manto cinzento das negociações espúrias.
"JORNAL NACIONAL MANIPULOU DENÚNCIAS SOBRE PETROBRAS-ALSTOM"
Texto extraído do site: blog do nassif, em 11/04/2014
Jornal GGN - Na edição de ontem, o Jornal Nacional manipulou informações, sonegou dados recebidos e produziu uma denúncia factualmente falha contra a Petrobras.
A denuncia seguiu o padrão atual de criação de factoides abrindo mão do rigor jornalístico. Tratava de um contrato com entidades e pessoas que entraram na linha de fogo da mídia: Petrobras, Alstom, senador Delcídio do Amaral e o ex-vice presidente internacional Nestor Cerveró.
A partir daí, produziu-se mais uma salada que envergonha o jornalismo.
A matéria “Documentos mostram que Petrobras desprezou opinião de advogados para fechar contrato com a Asltom” (http://tinyurl.com/lrcmbbk) referia-se a compras e manutenção de turbinas em termelétricas adquiridas nos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff.
A matéria começa dando destaque aos gastos de viagem (R$ 44 mil) de um executivo que foi à Suíça negociar a compra das turbinas. Depois informa que o Departamento Jurídico levantou 22 problemas que poderiam causar prejuízo.
Não explicou que em toda compra dessa natureza, cabe ao Jurídico levantar dúvidas, que são respondidas ou não pela área técnica. Se as respostas forem satisfatórias, mantem-se as cláusulas; não sendo, aprimoram-se. Se há respostas, não há desprezo pelas observações do Juridico.
O que a reportagem fez foi colocar apenas as dúvidas e sonegar do leitor as explicações que foram aceitas pelo Jurídico.
Segundo a matéria, “o contrato previa que "o único remédio possível" (em caso de quebra do equipamento) seria receber até 15% do valor, e não o valor integral da peça". Prossegue: "Na mesma cláusula, deixava-se ao critério do vendedor, a Alstom, a alteração de garantias de desempenho. O jurídico sugeriu a supressão dessa possibilidade, e completou: é de se notar que, caso haja atraso por culpa do vendedor, não existe nenhum tipo de penalidade, mesmo considerando-se os prejuízos que poderão advir”.
A nota da área técnica – que foi entregue à reportagem do JN (segundo nota divulgada há pouco pelo senador Delcídio Amaral) - explicava que o reembolso de 15% referia-se apenas no caso das usinas não apresentarem a performance prevista. “A possibilidade de quebra é tratada em outra cláusula do contrato (cláusula de garantia) que obriga o vendedor a repor as peças quebradas durante o período da garantia”.
A segunda denúncia do JN foi a de que o contrato permitiria à Alstom uma revisão unilateral das condições estabelecidas.
Máquinas térmicas têm seu desempenho alterado pelas condições ambientais do local de instalação e pela composição do combustível. A cláusula em questão obrigava o vendedor a corrigir os valores de performance padrão para as condições ambientais reais. Ou seja, a Petrobras adquiriu a performance. Se não fosse atendida pelos equipamentos entregues, o vendedor teria a obrigação de mudar as especificações para atender ao contratado.
sábado, 5 de abril de 2014
O QUE A IMPRENSA NÃO FALA DO "RISCO DO APAGÃO"
Autor: Fernando Brito (texto extraído do site: TIJOLAÇO)
Todo dia vocês leem sobre os graves riscos de uma “apagão” no sistema elétrico, não é?
Engraçado que as reservas nas hidroelétricas estão em 40,5% da capacidade, em nível nacional, enquanto foi preciso as reservas de São Paulo caírem abaixo de 15% para se dar atenção ao problema.
Mas 40,5% em abril não é um número preocupante?
Sim, é. Mas nada desesperador.
Porque existem elementos que não estão sendo publicados nos jornais e que vão trazer um significativo alívio para que os reservatórios do Sudeste, os mais prejudicados, se recuperem, mesmo com chuvas que seguem abaixo do padrão normal.
E, curiosamente, parte da chave para que estes fatores ocorram não está apenas na falta de chuvas, mas no excesso delas.
É que desde fevereiro está desligada, por causa das enchentes, a usina de Santo Antonio, no Rio Madeira, a quarta maior do país que, mesmo em funcionamento parcial, tinha capacidade equivalente a 3%% de todo o consumo nacional. Assim que voltar a operar, o que talvez ocorra ainda em abril, ela vai reduzir a necessidade de geração nas usinas do Sudeste, permitindo uma redução média de 4 a 5% do total produzido ali, economizando, por conseguinte, água.
Seria quase o mesmo, para você entender melhor, que inaugurar duas novas usinas nucleares como Angra I e Angra 2.
E o Rio Madeira vai dar, até maio, mais uma “gorjeta” em maio, com a entrada em operação de mais uma turbina, reduzindo a necessidade de geração termoelétrica com o acionamento da linha que leva energia ao Acre.
Ambas as usinas, aliás, feitas pelos governos Lula e Dilma, depois de o Brasil ter ficado 20 anos sem construir novas grandes hidrelétricas.
O que você leu sobre isso nos grandes jornais?
Sou capaz de apostar que nada de nada.
Nada disso faz a situação de abastecimento energético do país ser de absoluta tranquilidade, diante da maior seca que o assolou na história das últimas décadas.
Mas ela não é, como a do abastecimento de água da Grande São paulo, dramática e, salvo por milagre, irreversível a médio prazo.
O nível dos reservatórios do Sudeste, mesmo com a vazão dos rios reduzida, em março, a 60% da média – o sexto pior em 84 anos – já subiu 2% em relação ao final de fevereiro e o mesmo deve acontecer, este mês, com o segundo maior conjunto de reservatórios do país, o do Nordeste.
Compare isso com o que acontece com o Sistema Cantareira, que caiu 3,2% no mesmo período, mesmo com chuvas superiores à média.
Milagre?
Não, apenas a interligação entre os sistemas – no caso da água, das redes de distribuição – que permite aos reservatórios trabalharem em conjunto, racionalmente, de acordo com as precipitações em cada bacia hidrográfica.
Ou, para usar a palavra tão a gosto dos tucanos, planejamento.
Planejamento não torna sistema algum imune ao clima. Os torna, sim, muito mais resistentes.
"1964: O GOLPE CONTRA A MAIORIA"
Autor: MAURICIO DIAS
Texto extraído da revista carta capital em 05/04/2014
A farsa montada pela reação conservadora para esconder os reais objetivos do golpe de 1964 foi, e ainda é, sustentada pela propaganda massacrante da mídia ao longo de duas décadas e, hoje, camuflada vergonhosamente por editoriais hipócritas.
O golpe, com a bênção e, caso fosse preciso, apoio bélico dos Estados Unidos, teve como lema no estandarte o fantasma do comunismo. O presidente João Goulart comandaria essa guinada revolucionária no contexto da Guerra Fria. Era o grito de alerta repetido com certa histeria.
A resistência a Jango derivava da renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961. Goulart visitava a China naquele momento. Parecia fácil ligar o vice-presidente ao movimento comunista.
A maioria não se deixou levar pela propaganda ardilosa. Pesquisa resgatada nos anais do Ibope (tabela), de 1961, quando os chefes militares, Exército, Marinha e Aeronáutica, tentavam bloquear a posse do vice-presidente, mostra que apenas 10% admitiam a modificação na Constituição para a adoção do sistema parlamentarista, que amputaria os poderes de João Goulart. A minoria de 9%, contra a posse, venceu a maioria de 81% a favor da posse sem qualquer concessão. Os políticos conservadores negociaram a saída com a emenda parlamentarista.
A direita ergueu um biombo para conter os avanços sociais, as Reformas de Base, propostas pelo novo governo e sustentadas pela maioria da opinião pública.
Valiam-se, de certa forma, setores da esquerda guiados pelos ideais de uma revolução ora inspirada em Lenin, ora em Mao. Em qualquer dos casos uma aventura.
Encurralado por parte da esquerda, Jango, pelas melhores razões, era um político estigmatizado pela direita. Tanto pela sua afinidade com Vargas quanto pela sua fidelidade aos trabalhadores. Um exemplo disso é o episódio vivido por ele quando ministro do Trabalho por oito meses (junho de 1953 a fevereiro de 1954). Propôs 100% de aumento do salário mínimo, em vigor desde 1940, mas inteiramente defasado naquela ocasião. A reação foi forte. Jango caiu.
Logo depois se elegeria vice-presidente, na Presidência de JK. Em 1959, na eleição de Jânio, venceria novamente a disputa independente pela vice. Assumiu por circunstâncias da renúncia do presidente, em 1961.
Cresceu a campanha pela reforma agrária que fazia parte do programa de Reformas de Base do governo Jango. Renegada pela sovina elite brasileira, essa tinha, entretanto, apoio da grande maioria dos brasileiros, conforme mostra pesquisa de 1963 (tabela), também tirada do baú do Ibope.
Os números mostram um apoio da maioria à reforma agrária, mas aponta um número expressivo de entrevistados indecisos: 29% não souberam responder. Novamente, a maioria de 61% foi derrotada pela minoria de 11% dos que estavam contra.
Os projetos políticos e sociais de Jango não iam além do objetivo de minimizar as distorções sociais no Brasil. Isso explica o golpe. O resto é mentira.
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