sábado, 22 de abril de 2017

Método Cunha de volta. Perdeu a urgência, vota de novo e vence…

metodocunha
São poderosos e eficientes os argumentos da madrugada.
Depois de perder ontem o requerimento de urgência para a tramitação da reforma antitrabalhista, Rodrigo Eduardo Cunha Maia, o presidente da Câmara, usou o método de seu antecessor e pôs de novo em votação a mesma matéria.
E, claro, ganhou, depois de orelhas puxadas e pescoços apertados na escuridão da noite brasiliense.
Foram  287 votos contra 144, resultado de um esforço hercúleo – com o perdão de Hércules – da base governista.
O suficiente para obter o regime de urgência, mas ainda 21 votos abaixo do que a máquina governista precisa demonstrar que possui para aprovar a reforma previdenciária.
O governo não tem conseguido atingir, nunca mais, o “número mágico” de 308 votos  que lhe permita pisotear a Constituição.
É isso que está sendo observado.
E é por isso que não podem arrefecer as manifestações previstas para o dia 28.

DILEMA: PARA ONDE IR?

O papa papou Joãozinho

beijamao
Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, tem, ao contrário de João Dória Junior, noção do que é ser um homem de Estado.
Sabe que não há cabimento que um prefeito municipal, mesmo o de São Paulo, insistir num convite que já tinha sido recusado a um presidente da República, mesmo que este seja Michel Temer.
O Papa, avisem a Dória, é um chefe de Estado. Dória, um recém-chefete político.
Francisco foi indulgente, claro, e tolerou o que viu ser uma marquetagem barata de Dória.
Aliás, relevou até o imbecil tratamento de tu – “tu sabes que son 300 años”, numa referência à descoberta da imagem de Nossa Senhora Aparecida,  que Joãozinho lhe dirigiu.
Só em um momento Bergoglio não resistiu ao asco que, certamente, aquilo lhe provocava.
É a última cena do vídeo exibido pelo UOL, onde nitidamente ele retira a mão no momento em que Dória vai beijá-la.
Apenas compare sua reação ao receber a visita de jovens brasileiros, dar abraços e até brincar, perguntando quem era melhor, Pelé ou Maradona…
João Dória vai desfilando, mundo afora, a sua mediocridade publicitária .Vai correndo mundo com a insignificância que tem, para posar de “estadista” na Europa, no “importantíssimo” evento promovido pelo negociante educacional Gilmar Mendes para seu Instituto de Direito Público.
É um falso crianção, devidamente esticado, passeando com seu jatinho particular, esperando que os bobos, com a ajuda da mídia, achem que ele está gastando do bolso – já que abriu mão do salário de prefeito – a sua vida luxuosa.
Deveria poupar o papa de contracenar, de mau grado, com ele. Fica-lhe melhor a companhia de Soninha Francini, que aceita de passivamente as ordens do chefe, agora ex-chefe, Joãozinho.

A reforma da Previdência vai descendo pelo ralo aos pedaços

daniel
É de um ridículo atroz a frase do relator da previdência, Arthur Maia,  dizendo que guardava “surpresinhas” para a reta final da leitura do relatório sobre a proposta de reforma previdenciária.
Não há a menor seriedade e pouco importa o esclarecimento da população sobre o que se pretender fazer.
A  esta altura, ninguém sabe o que será a “reforma” da Previdência.
Temer mia.
Meirelles chia.
Faz-se qualquer negócio para que saia aprovada “alguma coisa”.
A essa altura, tanto faz que a” idade mínima” de 65 anos para o trabalhador urbano  passe a valer em 2038, como parece ter sido o acordo governista, ou no ano 3110.
Tira-se e põe-se categorias ao gosto do freguês, num improviso que diz respeito ao futuro e à velhice de milhões de pessoas.
Os anos de contribuição são, num dia, 49 e, em outro, “apenas” 40, como se nove anos de trabalho fossem uma brincadeira de que se pode dispor para aterrorizar pessoas.
Não tem nenhuma base real de mudança de curto ou médio prazo.
A reforma da Previdência que era um dragão, virou um destes monstros fabulosos montados com um pedaço de vários animais.
Parece  as tais bestas de Daniel descritas no  livro bíblico do Apocalipse.
O Governo Temer dissolveu-se e briga agora para conseguir aprovar algo que possa chamar de  seu “reformismo”.
Pode ser até que, num milagre, consiga.
Mas sai inapelavelmente mutilado.
A radicalização que promoveu para, depois, recuar e recuar e recuar só aumentou sua rejeição.

Denúncia do triplex é rejeitada em SP. Só serve para Moro

rejeitada
O site jurídico Conjur noticiou ontem, já tarde da noite, que a Justiça de São Paulo rejeitou a denúncia – com a absolvição sumária (antes do julgamento do mérito) de todos os réus — incluindo o executivo José Aldemário (Léo)  Pinheiro, sócio da OAS, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto – apresentada pelos promotores estaduais que ficaram conhecidos como “os 3 patetas” inicialmente também contra Lula.
A acusação contra Lula, que virou capa da Veja,  foi destacada e enviada a Sérgio Moro. Foi esta denúncia, que a justiça paulista considerou feita sobre  “alegações vagas”, que serviu de base para o estrondoso powerpoint do Dr. Deltan Dallagnol e, claro, foi aceita pelo Savonarola de Curitiba.
Confirmou-se, na sentença da juíza Maria Priscilla Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, que a peça  acusatória “apenas afirma, de forma superficial, aquilo que entende como fato gerador dos crimes”. “Não há a minúcia necessária, tão somente alegações vagas, o que não pode ser aceito para prosseguimento de um feito criminal, pelo que, também por este aspecto, o feito é fadado à absolvição sumária”, escreve ela na sentença.
É sobre isso que, no dia 3, Sérgio Moro ouvirá Lula e tudo está posto para que, disto, só possa resultar uma condenação de natureza meramente política, por fatos que se rejeitam, sumariamente, em outra peça judicial, com outros réus.
A nota curiosa é que os promotores  Cássio Conserino, José Carlos Blat ( o camisa negra da foto) e Fernando Henrique de Moraes, autores da denúncia, acabaram sendo premiados por uma decisão judicial que lhes rendeu R$ 90 mil como indenização paga pela Folha de S. Paulo por tê-los chamado de “três patetas”.
E por ter dito que a denúncia era um lixo, para onde agora foi remetida, exceto por sua parte curitibana.
É que os promotores, como se sabe, são intocáveis, e têm o direito de chamarem, sob “alegações vagas”, como diz a sentença, os outros de estelionatários.
Indenização por isso? Não, não, os acusados não são promotores.
E os promotores não são patetas, patetas somos nós.
MORBIDA

O tucano, agora, é Bolsonaro

pesqpoder360
Embora com números bem diferentes da pesquisa Vox/CUT divulgada ontem em relação a Lula (que, ainda assim, conserva a liderança), o levantamento eleitoral feito pelo site Poder360, de Fernando Rodrigues, registra o mesmo fenômeno que aquela: Jair Bolsonaro é, agora, o nome mais forte da direita.
Mesmo com o “queridinho” João Dória, que difere pouco da cartilha bolsonarista – é mais entreguista, algo menos sexista  e retira mais benefícios econômicos pessoais da política – o lugar da oposição a Lula é ocupado pelo ex-capitão.
Conte-se que Dória estaria, certamente, colhendo os frutos de sua superexposição demagógica na mídia e do recall positivo de sua eleição à Prefeitura de São Paulo.
Como em toda pesquisa distante das eleições, pode-se duvidar da exatidão dos números, mas há uma tendência bem marcada, que dificilmente vai se alterar: Lula ou as feras.
Mesmo que se possa imaginar um “teto” para o bolsonarismo, é incrível que o Brasil, desde Plínio Salgado, não tenha exprimido, pela via eleitoral, tamanho poderio das idéias fascistas.
A elites brasileiras e nossa mídia, para destruírem a esquerda, não hesitaram em cevar uma direita grosseira e xucra.
Agora, terão de lidar com os cães que devoram seus líderes tradicionais: um mastim e um poodle.

sábado, 8 de abril de 2017

A verdade involuntária: a “estabilidade” é o caos social

ops
Vivemos uma situação estranha na economia, muito bem resumida, num arroubo de verdade impensada, pelo letreiro que surgiu no comentário da jornalista Teresa Heredia, na Globonews: “Recessão e desemprego derrubam inflação e devolvem poder de compra aos brasileiros”.
Não, não é um deslize, é um retrato.
A queda da inflação é a aplicação, em dose cavalar, do conceito clássico de que a inflação cresce pelo excesso de demanda e, portanto, cai com a retração da procura por gêneros de consumo diário, bens e serviços.
Os preços não sobem porque não se vende.Como não se vende, não se produz. E como não se vende nem se produz, não se arrecada.
Não se arrecadando, a “solução” passa a ser a estabelecer “déficits” cada vez maiores no Orçamento para, formalmente, cumprir “meta” situadas cada vez mais baixas e, em tese, completamente ao inverso do tal “saneamento das contas públicas.
Estamos, hoje, trabalhando com duas “ancoras”, de resistência imprevisível.
Uma é o dólar, depreciado.
A outra é a expectativa, minguante, de que o governo possa garantir, no médio prazo, redução dos seus déficits, o que vem saindo ao contrário. O maior gancho desta “âncora” é a reforma da previdência, que começa a se soltar, com perspectivas cada vez menores que vá ser algo além de um pálido remendo.
Hoje, por um empresário na coluna de Miriam Leitão, em O Globo.
“Na boca do caixa, o meu primeiro trimestre ainda foi negativo. Os índices de confiança estão subindo, mas já brinco que eles viraram indicadores de esperança.”
Não haverá recuperação da economia sem que ela volta a funcionar.
O que se busca, hoje, é o equilíbrio na paralisia, impossível numa sociedade com as carências da brasileira.
A nãos ser que, como no letreiro da Globonews, a gente acredite que quanto mais desemprego e recessão, o poder de compra vá crescer.
Porque essa verdade só serve para uma pequena parcela da população. Para a outra, que a paga, é só exclusão, miséria e atraso.
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O dedo do Duda aponta para Skaf

dudaskaf
Vai se descobrindo mais um capítulo do segredo de Polichinelo de que esta praga chamada “marqueteiro eleitoral”, que eleva em dezenas de milhões o custo das campanhas eleitorais e paga, por caixas as mais diversas, por empresas.
Agora, surge a delação premiada de Duda Mendonça, narrando as peripécias dos pagamentos feitos (e não feitos) pela Odebrecht para financiar a campanha de Paulo “Pato” Skaf ao Governo de São Paulo.
A história tem lances de filme de espionagem, com senhas, contrassenhas, fazendas na Bahia e outros “folclores”.
Duda estava como “favas contadas” para delatar algo de Lula mas, como se diz por aqui, “deu ruim”.
Assim, vai ficando claro que todos usaram recursos empresariais, parte registrados, em parte não registrados. Porque também o marqueteiro de Aécio, Paulo Vasconcellos, foi pago em parte pela mesma empreiteira.
É preciso dar um basta à hipocrisia, porque todo mundo sabe que as campanhas de propaganda (especialmente rádio e televisão) exigem gastos imensos de quem pense em se eleger.
Uma reforma política séria tem de atacar os programas de propaganda política, onde o essencial é que o candidato se comunique com a população se expondo, não escondido sob uma montanha de recursos cinematográficos e efeitos especiais.
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Lula se diz tranquilo e quer que depoimento a Moro venha logo

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Lula diz que está “ansioso” para que chegue logo o dia 3 de maio, data de seu depoimento a Sérgio Moro no caso do suposto “tríplex” que dizem ser seu, no Guarujá, “porque é a primeira oportunidade que eu vou ter de poder saber qual é a acusação que eles têm contra mim e qual é a prova que eles têm contra mim”.
Em entrevista, por telefone, transmitida ao vivo pelo Facebook desde sua casa, em S. Bernardo, à rádio “O Povo CBN”, de Fortaleza, o ex-presidente disse esperar que apresentem provas da acusação e falou que está “tranquilo”.
Assista abaixo o vídeo:
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Temer chama Boni para o Planalto. E o Bonner?

boni
Poder360 noticia que Michel Temer chamou para ser consultor do governo 0 ex-global José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.
Sem trocadilho, o repórter Marcelo Barbiéri,diz que Boni trabalhará “pró-bono”, sem salário, “movido pelo espírito do ‘bom brasileiro’, interessado em ajudar o Planalto e a imagem do presidente”.
Esqueça-se o fato, constrangedor, de Boni ser agora um concessionário do Governo, desde que ganhou uma emissora do Governo Fernando Henrique, em 2001, na região do Vale do Paraíba.
Aos 81 anos, Boni não é o todo-poderoso homem de comunicação que era há duas décadas, como o manda-chuva da Globo.
Talvez apenas um “recuerdo de Ypacaray”.
O negócio agora não é com o chefe do Boni, mas com o chefe do Bonner, João Roberto Marinho.
Que não está muito interessado num paciente que dá sinais de estar em estado terminal.
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Corrosão do governo assusta a direita

carta
Michel Temer não tem, no horizonte visível hoje, votos para aprovar uma reforma da previdência que vá além de uma demão de tinta rala.
A notícia, hoje, que pretende acabar com o abono salarial – um salário mínimo por ano pago a quem ganha até dois mínimos – mostra que a equipe econômica está mandando seu recado: as contas não fecham.
Esta “fórmula” é apenas uma bobagem, destinada a sinalizar que é preciso dinheiro. Porque mexer no abono exigiria o mesmo quorum  de 308 votos (que não há), pois o pagamento está previsto na Constituição (§ 3º do Art. 239).
É preciso arranjar dinheiro, mas a pauta empresarial-rentista que está imposta a Temer o impede  de fazê-lo pela via do imposto, apenas pela do arrocho.
E esta é cada vez menos palatável a parlamentares que vêem chegando o calendário eleitoral.
Hoje, no Valor, Raphael de Cunto resume a situação de Temer no parlamento, comparando-a aos “bons tempos” do Império de Cunha:
A diferença no comportamento da Câmara fica mais evidente quando se compara as votações do projeto da terceirização. Em 2015, sob a presidência do ex-deputado Eduardo Cunha, o projeto foi aprovado por 324 votos a favor, 137 não e duas abstenções. O texto votado no fim de março teve 231 sim, 188 não e oito abstenções. Ou seja, contra a opinião do governo (a presidente era Dilma Rousseff), Eduardo Cunha conseguiu quase 100 votos a mais que a proposta agora apoiada – e mal trabalhada, segundo os aliados – pelo Planalto. Os votos contrários e as abstenções também cresceram.
A ilegitimidade do governo fruto de uma conspiração era compensada na ideia – que pareceu possível – de produzir uma carnificina completa sobre os direitos sociais e o patrimônio público que, afinal, em boa parte vai se consumar, mas sem perspectivas de alcançar a solidez de algum tipo de pacto político, como registra Luís Costa Pinto, no Poder360:
A ausência de clareza e de firmeza nas teses propostas pelo governo para a reforma da Previdência traduz a falta de um projeto de longo prazo. Os recuos sucessivos dos negociadores políticos, e a condução atabalhoada da comunicação, são sintomas de uma desagregação perigosa da equipe palaciana e podem estar começando a revelar uma notícia aterradora: não há mais coelhos na cartola. Quando isso ocorre nos espetáculos dos magos de quintal é porque o fim da festa se aproxima.
Este fim de festa será espacialmente danoso para o país.
De um lado, vai acelerar o ritmo de liquidação de tudo o que houver a vender, à cata de recursos que tornem menor o rombo gigante.
De outro, vai açular os apetites de poder das transviadas instituições brasileiras e atirar a disputa eleitoral para fora do “convencional”, com o, a esta altura, quase inevitável aventureirismo que experimentamos há quase 30 anos, pois esta é a alternativa possível à direita que se agregou a um governo que entrou em decomposição.
O que ocorreu com Sarney, ao que tudo indica, acontece agora com Temer.
O único “problema”, desta vez, é que o “rapaz valente” está ainda agarrado à carcaça que apodrece.
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O marketing da guerra

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A famosa frase de Carl von Clausewitz sobre a guerra ser a continuidade da política por outros meios ainda não previa que o marketing político poderia tomar os mísseis como suas peças de propaganda.
De novo, isso aconteceu na noite de ontem.
Com 59 mísseis Tomahawk, Donald Trump acertou mais do que uma base aérea no remoto deserto sírio.
Atingiu em cheio seu primeiro alvo: recuperar algum suporte interno, depois das frustrações políticas e judiciais de suas ações “machoman” contra imigrantes.
Causou danos severos às crescentes especulações e “saias-justas” sobre a história de agir em cooperação com o russo Vladimir Putin.
Mostrou ousadia em relação aos chineses ao ordenar o ataque com o presidente chinês Xi Jinping em pleno território americano, onde chegou ontem para uma visita de dois dias.
Um ataque ainda não esclarecido com gás, numa guerra civil de anos, com várias facções – uma delas o Estado Islâmico – em luta e mortes com requintes de crueldade, inclusive decapitações públicas, está longe de ser um “limite intolerável” onde já se ultrapassaram todos os limites, toleráveis ou não.
Até porque é no mínimo duvidoso que o presidente sírio, Bashar Al Assad, fosse comprometer a maré de sucessos militares que vem tendo com uma monstruosidade, embora enorme do ponto de vista humano, insignificante para o conflito em que está metido.
Mas a guerra tem sua própria racionalidade insana, que é a política.
E, no caso de Trump, política é marketing.
Makes America big again.
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