quinta-feira, 26 de maio de 2016

PARA REFLEXÃO:

Carta a Cristovam Buarque: o senhor vai ser coadjuvante de Alexandre Frota no MEC?

frota
Senador Cristovam Buarque,
Sempre tive carinho e amizade pelo senhor e sei que a recíproca sempre foi verdadeira nos muitos anos em que convivemos no PDT.
Sei também das mágoas que guarda em relação ao PT e a Lula. Todos sempre temos algumas e benditos aqueles que conseguem praticar os versos da Violeta Parra e deixam que o amor – e as causas são amores, não são? – nos “aleje tão dulcemente de rencores y violencias”
Sempre tivemos intimidade para brincar e me recordo de um dia, naqueles tempos em que o senhor defendia a permanência provisória de Pedro Malan e Armínio Fraga no comando da economia, como forma de dar ao “mercado” a tranquilidade com a mudança de governo da sua cara de espanto quando, imitando a voz do velho Brizola, perguntei se o senhor conhecia a “Síndrome de Estocôlmo”, assim mesmo, com o O fechado como ele falava, que era aquela onde o sequestrado se apaixonava pelo sequestrador.
Era sério, mas demos boas risadas, que a alma leve é privilégio dos homens de bem.
Hoje, porém, não dá para dar risada.
Não vou tratar como piada a ida de Alexandre Frota ao Ministério da Educação entregar, segundo ele disse “uma pauta para a educação” no Brasil, na qual destaca-se uma baboseira chamada “escola sem partido”, que diz que é para impedir a doutrinação e é para estabelecer a discriminação ideológica nos colégios e universidades.
Aquela que eu, como aluno de escolas públicas e o senhor, como aluno e depois professor, também viu. Aquela que jogou pelos caminhos do mundo, no exílio, o nosso querido Darcy Ribeiro, que sabia conviver com os índios, mas não com os selvagens de paletó e gravata.
É este o Governo que, infelizmente, o seu voto no Senado ajudou a instalar, o que não ouve as ideias generosas, mas está aberto a ouvir e acumpliciar-se às mesquinhas, encarnadas num sujeito que se notabilizou, na horizontal e na vertical, por transformar em brutalidade o que deveria ser o gesto mais delicado a unir pessoas.
Não vou condená-lo ainda ao desprezo, que é a morte em vida, Senador, porque me lembro do que dizia Brizola ser um direito humano: o de mudar.
Mas vou esperar que, diante desta bofetada em sua causa – na nossa causa – a da Educação, o senhor anuncie que seu voto será não ao impeachment e não a este destino inglório do MEC. Que já foi ocupado por gente conservadora, como Gustavo Capanema, mas decente.
E e espero para já, senador, porque a cabeça pode se confundir, mas o estômago sente na hora o que está estragado e podre.
Talvez aquele senhor musculoso e brucutu não saiba, mas não fez até hoje nenhuma cena mais pornográfica  que a de hoje, “entregando propostas” ao Ministro da Educação.
Espero, de coração, que o senhor, a esta altura da vida, não se preste a ser ator coadjuvante de Alexandre Frota.

PARA REFLEXÃO:

Para o curso de línguas da Ministra Rosa Weber: “jeitão de golpe”, em francês

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Mais um jornal estrangeiro arranja um jeito, como se mostrou ontem aqui, explicar à Ministra Rosa Weber, como ela determinou a Dilma Rousseff, por que usou a palavra golpe para definir o que se passa no Brasil.
Primeiro em inglês, com o “complô” usado pelo New York Times e pelo The Guardian.
Agora em francês, no tradicional jornal Libération: Brésil : un impeachment aux allures de putsch – Brasil: um impeachment  com jeito de golpe – reportagem do Liberation, da França, em parte reproduzida pela Folha:
Em um país em recessão, a revolta popular foi instrumentalizada por políticos corrompidos para depor a presidente Dilma Rousseff, escreve a correspondente do jornal francês “Libération” Chantal Reyes. “Sabemos agora que as motivações para destituí-la não tinham nada de nobre”, diz, antes de resumir as conversas reveladas pela Folhanas quais Romero Jucá (PMDB-RR) defende uma “mudança de governo para parar tudo”, ou seja, frear as investigações do gigantesco escândalo de desvio de recursos da Petrobras.
A conversa entre Jucá e Sérgio Machado, ex-diretor da Petrobras, traz para dentro do escândalo o PSDB, partido de oposição, de centro-direita. Mas o que é pior, segundo o “Libération”, é que o Supremo Tribunal Federal, de acordo com a conversa registrada, pensava que destituir a chefe de Estado reduziria a pressão popular sobre a Lava Jato.
Para a publicação, “a legitimidade do governo interino está mais comprometida do que nunca” e a única “caução” deste governo é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, respeitado pelos mercados.
E com aquele “putsch”, Ecelência, ainda vai um pouquinho de alemão. Mas pode ficar tranquila que, daqui a pouco, a gente fica sabendo como é golpe em qualquer língua deste mundo, vasto mundo.
Embora isso não seja uma solução, não é?

PARA REFLEXÃO:

Errou, Jucá. Aécio não vai ser “o 1º a ser comido”. Gilmar devolve mais um inquérito

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O Ministro Gilmar Mendes vai se firmando como maior jurisconsulto da Justiça parcial  que temos.
Devolveu à Procuradoria Geral da República o segundo inquérito sobre Aécio Neves por suposta  tentativa de esconder o mensalão mineiro na CPI dos Correios.
Mendes já havia, há poucos dias, devolvido o primeiro, que se destinava a verificar um possível esquema de corrupção em Furnas. E pelo mesmo motivo: “para reavaliação da Procuradoria Geral da República”.
Pensa bem, Janot, pensa bem…
Não há mais qualquer limite à atuação de Gilmar.
Bloqueou a posse de Lula, tá bloqueado. O plenário espera até Dilma cair para apreciar e, aí, Gilmar diz que não há mais o que apreciar.
Inquérito de Aécio? Volta, aqui por engano.
Jucá diz que estava “conversando” alguns ministros do Supremo para ajudarem a derrubar Dilma? “Apenas uma impropriedade, não há obstrução de Justiça.
Bem, pelo menos em uma coisa a gente sabe que Jucá não tinha razão: Aécio não será o primeiro a ser comido.
Gilmar não deixa.

PARA REFLEXÃO:

Die Zeit: o Brasil tem um governo ou um bando de gângsters?


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O semanário Die Zeit, que tira meio milhão de exemplares, está longe de ser sensacionalista, em seus 70 anos de vida. Ontem publicou uma análise brutal, importante para que se veja a desmoralização do nosso país no exterior.
Gângster não é uma palavra que usariam em circunstâncias normais.
O Jari da Rocha, colaborador deste Tijolaço que já morou nas bandas berlinenses traduziu e traz para a gente o texto do jornalista Thomas Fischerman, correspondente no Brasil. É de doer ver nosso país submetido a isso.

Governo ou um bando de gângsters?

Thomas Fischermann, no Die Zeit
As maiores atenções estão, agora, sobre o que Jucá disse involuntariamente sobre a corrupção. Os brasileiros já sabiam: Este governo interino tem um número excepcionalmente elevado de ministros e esqueletos no armário. Cheios de processos de corrupção e investigações que correm contra eles.
Assim como Michel Temer, ex-vice de Dilma e agora o presidente interino, que foi recentemente condenado por um tribunal por causa de irregularidades no financiamento de campanhas eleitorais. Segundo a lei brasileira, significa que pode não pode ser eleito em qualquer eleição por oito anos – ele jamais poderia, portanto, ser presidente de forma democrática. Como chefe do Parlamento do governo na Câmara, Temer atuou, particularmente, como um aventureiro: um político obscuro contra as ações anticorrupção e até uma investigação por tentativa de homicídio. Os críticos perguntam: Este é um governo ou um bando de bandidos?
A queda Dilma Rousseff deve impedir o julgamento de todos estes cavalheiros. Com deputados, senadores e membros do Supremo Tribunal envolvidos para impedir os promotores. Uma conspiração – conspiração Brasília. Mas este não é o único motivo: Caso contrário Temer e seu gabinete não teriam, com o novo governo, imposto seu ritmo e forma de governar. Metade do país colocou sobre eles a expectativa de que a economia do país deve ser salva. A administração Rousseff deixou aos frangalhos a economia: aumento da dívida, diminuindo economia, e sem um plano de melhoria à vista. No entanto, recentemente, ela foi isolada durante meses no parlamento e, por essa razão, dificilmente poderia implementar seus próprios programas de recuperação.
Rousseff volta ?
O ministro Jucá se licenciou – não se demitiu, deixou temporariamente o cargo de ministro até que a situação jurídica seja esclarecida. É notável já que o presidente interino Temer não o tenha expulsado. Um padrão está emergindo. O novo ministro da Justiça deste governo, logo que assumiu, disse: nem um direito é absoluto e país precisa funcionar. Disse isso sobre uma decisão que Temer teria que tomar (como a escolha do Procurado geral da república) Temer tentou pacificar, mas não tomou medidas adicionais.
A questão agora é como continuar em Brasília? Se as próximas gravações secretas foram publicadas, o escândalo continua. Agora, desde o início da semana, não soa mais estranho se a presidente deposta, Dilma Rousseff, e seus seguidores falam de um golpe: “Obviamente,” era e se não era, agora é. Disse ela.
As consequências disso tudo estão em aberto. Se o governo interino falhar e o golpe ficar claro, Rousseff, teoricamente, pode voltar de novo: No Senado carece de apenas dois ou três votos e os primeiros céticos já têm sem manifestado. O Senado pode recusar-se e a regra é simples. A Presidente, após 180 dias, volta automaticamente ao governo. Isto é concebível, porém… Rousseff teria os mesmos problemas de antes. Em primeiro lugar, um parlamento hostil, o que permite a ela nenhuma política consistente. Em segundo lugar, poderia haver novo pedido de impeachment para ela, por causa de um financiamento duvidoso de sua recente campanha eleitoral. Ou seja, com grande chance de, em seguida, ela ser colocada, uma segunda vez, para voar para fora do palácio.
Muitos vêem as eleições como a melhor saída para o país: a renúncia conjunta de Rousseff e Temer e um novo começo, desta vez legitimado pelo povo. Só precisa encontrar ainda candidatos convincentes para todas as partes – que também estão dispostos a assumir a liderança em tal impasse.

PARA REFLEXÃO:

O áudio de Renan, Dilma e o STF que “só pensa em aumento”.

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O capítulo 2 dos áudios gravados por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, para negociar sua delação premiada revelam dois extremos: dignidade e indignidade.
Não há, aparentemente, nada que comprometa mais o presidente do Senado, já às voltas com as várias investigações que sobre ele faz Rodrigo Janot. Mas há, no que diz Renan Calheiros na intimidade um retrato impiedoso da vergonha que se tornou o Poder Judiciário.
Em determinado trecho, Renan explica porque Dilma não consegue dialogar com os integrantes do Supremo:
Não negociam porque todos estão putos com ela. Ela me disse e é verdade mesmo, nessa crise toda –estavam dizendo que ela estava abatida, ela não está abatida, ela tem uma bravura pessoal que é uma coisa inacreditável, ela está gripada, muito gripada– aí ela disse: ‘Renan, eu recebi aqui o Lewandowski, querendo conversar um pouco sobre uma saída para o Brasil, sobre as dificuldades, sobre a necessidade de conter o Supremo como guardião da Constituição. O Lewandowski só veio falar de aumento, isso é uma coisa inacreditável’.
Sim, é inacreditável.
Tão inacreditável, aliás, que os ministros do Supremo não se pejaram de, dias antes de votarem unanimemente o afastamento de Eduardo Cunha de acertarem com ele a votação do aumento tão caro a Lewandowski e seus pares. Registra o Estadão, para quem não se recorda:
A votação da urgência do projeto de Lei de reajuste do Poder Judiciário foi acertada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com lideranças partidárias após pedido feito pelo presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, em reunião com deputados na última terça-feira, 26  (de abril, não faz um mês!).
Mais adiante, vê-se o papel que o Judiciário jogou com o veto à posse de Lula como ministro da Casa Civil:
MACHADO –(…) Porque deixar esse Moro do jeito que ele está, disposto como ele está, com 18% de popularidade de pesquisa, vai dar merda. Isso que você diz, se for ruptura, vai ter conflito social. Vai morrer gente.
RENAN – Vai, vai. E aí tem que botar o Lula. Porque é a intuição dele…
MACHADO – Aí o Lula tem que assumir a Casa Civil e ser o primeiro ministro, esse é o governo. Ela não tem mais condição, Renan, não tem condição de nada. Agora, quem vai botar esse guizo nela (Dilma)?
RENAN – Não, [com] ela eu conversa, quem conversa com ela sou eu, rapaz.
No próximo post, trato do que o áudio revela sobre a Globo, na última (espero) ilusão petista de que ela poderia não ser o próprio golpe. E reproduzo, abaixo, o inteiro teor da gravação.
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PARA REFLEXÃO:

Temer e procuradores da Lava Jato acertaram “cessar fogo” para derrubar Dilma

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(ESTE TEXTO FOI ESCRITO COM O QUE JÁ ESTAVA PUBLICADO NO INÍCIO DA MADRUGADA. NO PRÓXIMO, TRATO DOS ÁUDIOS DE RENAN)
O conchavo entre Temer e a república de Curitiba do Ministério Público está sendo revelado na edição da Folha desta quarta-feira, em reportagem que já está no ar na versão eletrônica do jornal.
É um escândalo sem precedentes, porque nem foi feito com a chefia da instituição, mas com um grupo que se adonou do poder investigatório e se constitui num poder paralelo dentro da Procuradoria.
Leia o texto estarrecedor da Folha:
Um emissário do presidente interino Michel Temer (PMDB) e representantes da força-tarefa da Operação Lava Jato encontraram-se na véspera da sessão do Senado que selou o afastamento da petista Dilma Rousseff.
O encontro tratou de uma espécie de “acordo de procedimento” que não colocasse em risco as investigações.
A conversa foi entre o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), um dos assessores mais próximos de Temer, e os procuradores Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, e Roberson Pozzobon.
O diálogo, de quase duas horas de duração, ocorreu após um evento organizado pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) em Brasília.
Anteriormente, os procuradores haviam recusado um encontro com o próprio Temer, articulado pelo ex-presidente da ANPR Alexandre Camanho, que é homem de confiança do peemedebista.
Temer, que mostrava preocupação com a disseminação da ideia de que seu governo enterraria a Lava Jato devido ao grande número de peemedebistas investigados, aprovou a sugestão.
A preocupação cresceu com a sondagem feita ao advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, um crítico da Lava Jato, para ocupar o Ministério da Justiça. A nomeação de Mariz fracassou após ele dar uma entrevista à Folhaatacando a operação.
O encontro com Temer, porém, foi rejeitado pelos procuradores, que rechaçaram uma possível conotação política na proposta. Eles também mostraram receio de que o ato fosse interpretado como apoio ao impeachment.
Apesar disso, na conversa entre Loures e os procuradores, foi acertada a manutenção no cargo do superintendente da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Franco, responsável pela Lava Jato.
Loures ouviu dos investigadores que a permanência de Franco seria sinal importante e prometeu consultar Temer.
“Eu disse para os procuradores que se o conforto era dar essa garantia, iria levar o pedido ao presidente”, relatou o ex-deputado àFolha.
Na mesma noite, o assessor levou o pleito a Temer, que aceitou o pedido.

PARA REFLEXÃO:

Delegado da lava Jato critica vazamento. Só o do áudio do Jucá…

delegado
Leio no Diário do Centro do Mundo o artigo do Kiko Nogueira e vou procurar a fonte da notícia de que o chefe da Polícia Federal na Operação Lava Jato, delegado Igor Romário de Paula,  reclama do vazamento da gravação que compromete o senador Romero Jucá que, pela própria boca,
Está lá, em O Globo, insuspeito:
— O que nos preocupa somente é que isso (os áudios) venha a público dessa forma, sem que uma apuração efetiva tenha sido feita antes — reclamou o delegado.
Os áudios, no caso, é um só.
Aquele em que Jucá diz que o STF está sendo “conversado” para  por “fim na sangria” da Lava Jato.
Aquele em que Jucá e o delator que o grava dizem que a carceragem da Polícia  Federal é a Torre de Londres, com sua fama da torturas.
Aquele em que se diz que os empreiteiros fazem delações seletivas.
É só um e, ao que tudo indica, não um entre as dezenas de áudios, depoimentos, acusações que vazaram da operação que ele chefia.
E me lembrando da imparcialidade do delegado, retratada no Estadão, em  novembro de 2014:
“Esse é o cara!!!!”, escreveu no dia 18 de outubro o delegado Igor Romário de Paula, da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, ao comentar uma montagem com várias fotos de Aécio, nas quais ele aparece ao lado de diferentes mulheres.
Realmente o Dr. Igor deve estar preocupado porque é realmente uma injustiça vazar um áudio onde se diz que “o cara” é “o primeiro a ser comido” se as investigações prosseguirem livremente.
As “instituições republicanas” no Brasil são um primor, um prodígio.
Retas, transparentes, equilibradas, apartidárias.
Depois que Gilmar Mendes disse que o que Jucá fez foi só “uma impropriedade” está tudo liberado.

sábado, 9 de abril de 2016