sábado, 3 de outubro de 2009

"DEU NO BLOG DO LUIZ NASSIF"


"AS INVESTIGAÇÕES SOBRE O CASO ENEM"

Vamos a algumas considerações sobre o caso do furto das provas do ENEM, a partir do que saiu hoje nos jornais.

Primeiro, as conclusões. Depois, o raciocínio por trás delas:

· A probabilidade maior foi a de uma operação política. O pedido de dinheiro foi despiste.

· Quem atuou foi uma quadrilha organizada, que procurou dois veículos não estigmatizados por dossiês – Estadão e Record – para passar o furo.

· Dois trombadinhas-laranja foram escalados para oferecer o material para a Folha no mesmo momento. Mas foi uma óbvia manobra de despiste.

· Os bandidos deixaram claro que o sigilo de fonte era a maior garantia de impunidade para essas jogadas, reafirmando aquilo que detalhei à exaustão em “O Caso de Veja”: todo esquema de quadrilha especializada em dossiês tem, na ponta, a contraparte jornalística.

· Foi uma operação paulistana, não brasiliense, embora não se descarte a possibilidade dos bandidos terem vindo de Brasília.

Vamos ao detalhamento, a partir das matérias publicadas (clique aqui).

1. Há duas maneiras de se fazer dinheiro com o ENEM. O usual – conhecido por esquemas que fraudam provas de vestibulares – é vender para cursinhos ou pais de aluno. É mais rentável mas supõe um esquema prévio armado. O outro modo é explorar politicamente o episódio. E, aí, há duas hipóteses a serem investigadas. Ou o esquema pretendia dinheiro oferecendo o dossiê a jornais (com o intuito de criar escândalos políticos) ou atuava a serviço de alguma organização política.

2. Na explicação dos bandidos aos repórteres do Estadão, fica claro que a melhor maneira de gerar escândalos criminosos é em parceria com veículos propagadores de dossiês (não é o caso do Estadão). Eles dizem claramente que o sigilo de fonte garante a impunidade, razão para não terem procurado o PSDB. Pode ser uma tentativa algo canhestra de explicar porque procuraram o jornal; pode ser uma tentativa de despiste.

3. Três veículos foram procurados: Estadão, Record e, pelo que se sabe hoje pela leitura dos jornais, a própria Folha. Os que procuraram o Estado e a Record (não se sabe se são os mesmos) tinham claro conhecimento de fontes especializadas, sabiam das implicações políticas do caso e “adoçaram” a boca dos jornalistas acentuando que o caso poderia derrubar Ministros ou procurando legitimar o vazamento com toques moralistas. Os que procuraram a Folha precisaram se valer de um dono de pizzaria para conseguir o telefone do jornal.

4. O objetivo final era obviamente o Estadão ou a Record, mas por qual razão? Uma possibilidade seria o fato de ambos não terem se queimado com armações e dossiês falsos. Outra possibilidade é que as duas portas óbvias – Folha e Veja - estavam impedidas de serem acionadas. A Folha devido ao fato de controlar a Gráfica Plural (que recebeu a gigantesca encomenda do MEC de imprimir as provas); a Veja pelo fato da Abril ser grande fornecedora do Ministério da Educação.

5. Qual a intenção de colocar dois trombadinhas para procurar a Folha, então? Uma possibilidade (não a única) é de despiste, soltar penas ao vento para dificultar o trabalho da Polícia Federal, ou colocá-la no encalço de trombadinhas-laranja desviando o foco dos verdadeiros autores.

6. Foi uma manobra paulistana, não se tenha dúvida. No caso da Record e do Estadão, havia uma posição dos bandidos em, sempre, colocar Brasília como fonte do vazamento. Eram os filhos de deputados, ora o delegado da Polícia Federal, ora o funcionário do INEP. Ora, há todo um mercado de dossiês já estruturado em Brasília, em torno de sucursais ou dos próprios jornais locais. Uma possibilidade é que tenham atuado em São Paulo para fugir dos esquemas marcados em Brasília. Mas, sendo assim, a troco de quê a insistência em jogar os holofotes sobre supostas fontes brasilienses? Típica manobra de despiste: a operação foi paulistana, reforçada pelo fato de que o material que os repórteres do Estadão viram já eram provas impressas, e o INEP tinha apenas o print das questões em seus cofres.

"Algumas Considerações Sobre Michael Jackson"

Extraído do site: WWW.gun.com.br

O rei do pop morreu e tá rolando muita piadinha. Mas será que fazer piada com a morte de Michael Jackson é considerado humor NEGRO? Como fã de MJ, prometi que não ia criar nenhuma piada sobre ele. Mas vou falar umas que me contaram.

Porque com a morte dele, muitos comediantes tão tendo que reformular algumas piadas. Principalmente as de pedofilia. Agora a gente vai ter que usar o DJ Marlboro. Não é tão bom, mas é o que a gente tem. Apesar de que eu não gosto de fazer piada sobre pedofilia. Acho a maior criancice.

O Michael morreu e há pouco tempo morreu Dercy e Clodovil. Calypso quase morria… se morrer Preta Gil, Hebe e Rubinho eu não vou ter mais texto pra fazer show.

Me mandaram essa piada no Twitter:
“Michael Jackson morreu feliz porque vai encontrar o MENINO jesus.”

Além de ser uma piada de mau-gosto, não faz sentido porque a Madonna já tá pegando Jesus.

SEÇÃO: HUMOR

TÍTULO DA PIADA: "RAÇÃO PARA PINTO"

Uma moça da roça foi convidada para uma festa onde teria que usar vestido, coisa que ela não usava, pois andava só de calças compridas e sem a calcinha.
Não havia loja de roupas íntimas por perto, então ela teve uma idéia: lembrou-se de que o armazém de um vilarejo perto da fazenda, vendia sacos vazios. Como ela costurava bem, faria sua própria calcinha!
Ela foi até lá, comprou um saco de pano, correu para a máquina de costurar e confeccionou uma linda calcinha. No dia da festa, vestiu a peça feita em casa, colocou o vestido e pegou um ônibus para ir à festa.
Como estava acostumada a usar calças compridas, sentou-se num dos bancos, bem à vontade, de pernas abertas. Em sua frente estava um caipira que não tirava os olhos de cima dela.
Passado algum tempo, a menina se irritou e perguntou:
- O que foi caipira, nunca viu uma calcinha!?
- O caipira tomou um fôlego e respondeu:
- Óia moça, vê carcinha eu já vi, mas escrito "ração pra pinto", é a primeia veiz.

"Honestidade!!!"

"QUAL É O PROBLEMA ?"


Um dos maiores choques de minha vida foi na noite anterior ao meu primeiro dia de pós-graduação em administração. Havia sido um dos quatro brasileiros escolhidos naquele ano, e todos nós acreditávamos, ingenuamente, que o difícil fora ter entrado em Harvard, e que o mestrado em si seria sopa. Ledo engano.

Tínhamos de resolver naquela noite três estudos de caso de oitenta páginas cada um. O estudo de caso era uma novidade para mim. Lá não há aulas de inauguração, na qual o professor diz quem ele é e o que ensinará durante o ano, matando assim o primeiro dia de aula. Essas informações podem ser dadas antes. Aliás, a carta em que me avisaram que fora aceito como aluno veio acompanhada de dois livros para ser lidos antes do início das aulas.

O primeiro caso a ser resolvido naquela noite era de marketing, em que a empresa gastava boas somas em propaganda, mas as vendas caíam ano após ano. Havia comentários detalhados de cada diretor da companhia, um culpando o outro, e o caso terminava com uma análise do presidente sobre a situação.

O caso terminava ali, e ponto final. Foi quando percebi que estava faltando algo. Algo que nunca tinha me ocorrido nos dezoito anos de estudos no Brasil. Não havia nenhuma pergunta do professor a responder. O que nós teríamos de fazer com aquele amontoado de palavras? Eu, como meus outros colegas brasileiros, esperava perguntas do tipo "Deve o presidente mudar de agência de propaganda ou demitir seu diretor de marketing?". Afinal, estávamos todos acostumados com testes de vestibular e perguntas do tipo "Quem descobriu o Brasil?".

Harvard queria justamente o contrário. Queria que nós descobríssemos as perguntas que precisam ser respondidas ao longo da vida.

Uma reviravolta e tanto. Eu estava acostumado a professores que insistiam em que decorássemos as perguntas que provavelmente iriam cair no vestibular.

Adorei esse novo método de ensino, e quando voltei para dar aulas na Universidade de São Paulo, trinta anos atrás, acabei implantando o método de estudo de casos em minhas aulas. Para minha surpresa, a reação da classe foi a pior possível.

"Professor, qual é a pergunta?", perguntavam-me. E, quando eu respondia que essa era justamente a primeira pergunta a que teriam de responder, a revolta era geral: "Como vamos resolver uma questão que não foi sequer formulada?".

Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas e definidas, por uma razão muito simples: é mais fácil para o aluno e também para o professor. O professor é visto como um sábio, um intelectual, alguém que tem solução para tudo. E os alunos, por comodismo, querem ter as perguntas feitas, como no vestibular.

Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência, o mito de que todas as questões do mundo já foram formuladas e solucionadas. O objetivo das aulas passa a ser apresentá-las, e a obrigação dos alunos é repeti-las na prova final.

Em seu primeiro dia de trabalho você vai descobrir que seu patrão não lhe perguntará quem descobriu o Brasil e não lhe pagará um salário por isso no fim do mês. Nem vai lhe pedir para resolver "4/2 = ?". Em toda a minha vida profissional nunca encontrei um quadrado perfeito, muito menos uma divisão perfeita, os números da vida sempre terminam com longas casas decimais.

Seu patrão vai querer saber de você quais são os problemas que precisam ser resolvidos em sua área. Bons administradores são aqueles que fazem as melhores perguntas, e não os que repetem suas melhores aulas.

Uma famosa professora de filosofia me disse recentemente que não existem mais perguntas a ser feitas, depois de Aristóteles e Platão. Talvez por isso não encontramos solução para os inúmeros problemas brasileiros de hoje. O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para os problemas errados.

Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-a-dia, uma vez definido qual é o verdadeiro problema, o que não é fácil, a solução não demora muito a ser encontrada.

Se você pretende ser útil na vida, aprenda a fazer boas perguntas mais do que sair arrogantemente ditando respostas. Se você ainda é um estudante, lembre-se de que não são as respostas que são importantes na vida, são as perguntas.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)

Editora Abril, Revista Veja, edição 1898, ano 38, nº 13, 30 de março de 2005, página 18

SEÇÃO: HUMOR

TÍTULO DA PIADA: "GOL DE PLACA"

Tarde de domingo. Futebol de várzea em Lisboa. A certa
altura um dos jogadores vai cobrar um escanteio e o gândula,
muito sacana, coloca uma pedra no lugar da bola. O cobrador
do escanteio, toma distância, corre e pimba. Mete uma bic#da
na bola, ou melhor, na pedra.
Cai no chão, começa a gemer, mas logo está dando gargalhadas!
O gândula , indignado, pergunta:
— Você acabou de quebrar o pé chutando a pedra, posso saber do que você está rindo?
— Hahaha! Tô rindo daquele imbecil que fez o gol de cabeça!


"Propaganda Sincera"

"NACIONALISTAS X ENTREGUISTAS ?

O senador Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati é um gênio.

Ele queria que o debate sobre o pré-sal fosse como o que precedeu a privatização dos telefones que entregou metade do Brasil ao irmão dele, Carlos, e a outra metade ao passador de bola apanhado no ato de passar bola, Daniel Dantas.

Tudo aprovado “em regime de urgência urgentíssima”, e a manipulação dos fundos de pensão das estatais.

Quando o Brasil assistiu àquele momento Péricles de Atenas do Fernando Henrique: “se isso der m…”, estamos todos no mesmo barco.

A virtude do Presidente Lula foi exatamente essa: politizar o debate do pré-sal.

Jogar os entreguistas dos Demo-tucanos de um lado e os nacionalistas do outro.

Lula reproduziu a batalha de Vargas pela Petrobrás.

O partido do senador Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati também tentou politizar a questão.

Só que com outro objetivo: fazer o jogo dos entreguistas.

O Senador tucano Álvaro Dias, com a mão de gato de outro tucano então na presidência do Senado, montou a CPI da Petrobrás com a missão de desmoralizar, desconstruir a Petrobrás e, com isso, jogar o pré-sal no colo dos clientes do Davizinho Zylbersztajn.

Os entreguistas.

O senador Álvaro Dias, por exemplo, nas reuniões da CPI, recebia perguntas prontas de um repórter do Estadão, jornal terceirizado que se presta aos interesses dos entreguistas.

Os personagens são os mesmos de 1954: Globo, Estadão, o PiG (*) e a UDN.

Estão todos vivos.

E o senador Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati corre o risco de encerrar ano que vem a breve carreira política.

Exatamente por isso: porque o povo do Ceará (onde há petróleo e o presidente Lula vai instalar a siderúrgica que o FHC não fez) pode não gostar de entreguistas.

Por: Paulo Henrique Amorim (site: Conversa Afinada)

domingo, 27 de setembro de 2009

"Campanha Legal"

"Justiça Cega e Efeito Serra"


Por: Wálter Fanganiello Maierovitch

Texto publicado na Revista Carta Capital em 18/08/2009

Recebi um telefonema do jornalista Paulo Henrique Amorim, cujo site, Conversa Afiada, está na relação dos meus favoritos. Diante dos escândalos no Senado e com os temas da ética e transparência em destaque na mídia, Paulo Henrique queria saber sobre uma decisão minha do início dos anos 90, quando juiz titular da segunda zona eleitoral de São Paulo. Para tanto, ingressei em um túnel do tempo com algumas cinzas decorrentes do efeito estufa, as quais os italianos chamam de indesejável efeito serra, ou effetto serra.

Com efeito, no ano de 1988, quando João Leiva, Paulo Maluf e José Serra disputavam a prefeitura de São Paulo, o procurador Flavio Flores da Cunha Bierrenbach resolveu dar um alerta aos eleitores paulistanos, no horário reservado aos partidos políticos. Bierrenbach é hoje ministro do Superior Tribunal Militar.

Na tevê, Bierrenbach disse o seguinte: “No dia 15 de novembro, João Leiva vai derrotar dois Malufes. Um não engana mais ninguém, todo mundo conhece e é assumido. É a síntese do regime de exceção. Alguém já disse que Paulo Maluf foi uma flor que nasceu no lodo da ditadura. O outro, entretanto, poucos conhecem. Engana muita gente. Chama-se José Serra. Entrou pobre na Secretaria do Planejamento do governo Montoro, saiu rico. Fez uma campanha para deputado federal miliardária. Prejudicou a muitos dos seus companheiros. Esses homens têm algo em comum. Uma ambição sem limites. Uma sede de poder sem nenhum freio. E pelo poder eles são capazes de tudo. Usam o poder de forma cruel, corrupta e prepotente”.


Ao então candidato Serra concedeu-se o direito de resposta. Ainda inconformado e amargando o resultado eleitoral desfavorável, o referido Serra, então deputado federal, insistiu, junto ao juízo da segunda zona eleitoral, em enviar peças para o representante do Ministério Público eleitoral (MP). Serra afirmava ter sido ofendido em sua honra por Bierrenbach, ou seja, definindo-se expressamente como caluniado, difamado e injuriado. O MP, com base no Código Eleitoral e tendo em vista que os delitos contra a honra no âmbito eleitoral são de ação pública, denunciou Bierrenbach por crimes de calúnia, injúria e difamação, duas- vezes cada um deles. Depois da ação penal instaurada, o deputado Serra requereu, por meio do advogado Mário Covas Neto, a sua habilitação como assistente de acusação, frisando sua condição de vítima de calúnias, difamações e injúrias.

Bierrenbach, na sua defesa, apresentou uma exceção da verdade. Ou seja, queria provar que havia dito a pura verdade sobre Serra. A exceção foi recebida judicialmente e as provas, deferidas. Como o processo penal é orientado pela busca da verdade real, e deveria, depois de instruído, ser remetido ao Supremo Tribunal Federal para julgamento por força do foro privilegiado do então deputado Serra, várias diligências foram determinadas judicialmente: ofício a bancos para futuro cotejo sobre evolução patrimonial, etc.


O deputado federal Serra, imediatamente depois da exceção da verdade apresentada por Bierrenbach, pretendeu modificar as acusações, feitas por ele e endossadas pelo Ministério Público. Passou, então, a entender que havia sido apenas injuriado. Jamais, caluniado ou difamado. E, frisou, uma vez afastadas judicialmente as imputações sobre os crimes de calúnia e difamação, que a exceção da verdade deveria ser rejeitada liminarmente. Qual a razão? É que a lei eleitoral só admitia exceção da verdade em casos de calúnia e difamação. Nunca na hipótese de crimes de injúrias, menos grave por ser genérica.

Com a decisão anterior sobre calúnias e injúrias mantida (as difamações foram afastadas), Serra postulou, então, a remessa dos autos ao STF, sem sucesso, pois a jurisprudência não o favorecia.

Na sequência, impetrou um mandado de segurança para se ver livre de decisões judiciais consideradas abusivas e ilegais. O mandado de segurança foi elaborado pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, em substituição a Mário Covas Neto. Uma liminar do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) paralisou o processo e determinou, a pedido do deputado Serra, os recolhimentos dos ofícios judiciais, para não haver quebra do segredo bancário e fiscal do deputado Serra.

Depois de muitos anos na posse dos autos do mandado de segurança, o relator Francisco Prado, guindado ao TRE pela classe dos juristas-advogados e mercê de sua larga experiência de vida como ex-prefeito e prefeito de Santos (quando deixou o TRE foi secretário de Covas e Alckmin), lançou decisão, no ano de 1997. O TRE entendeu que o exame do mandado de segurança estava prejudicado, pois os crimes estavam todos prescritos. Arquivou-se o processo iniciado em 1990, por não ter sido julgado no tempo devido.

Pano rápido. Como dizia Mario Quintana, “a Justiça é cega. Isso explica muita coisa”.

"Argentinos Na Barreira"

"O Segredo do Casamento"

Por: Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)

Texto publicado na Editora Abril, Revista Veja, edição 1922, ano 38, nº 37, 14 de setembro de 2005, página 24

Meus amigos separados não cansam de me
perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher. As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.

Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.

Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas, dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue.

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.

O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. O segredo no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.

Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua de mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?

Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você, depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo e a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.

Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é sua esposa que está ficando chata e mofada, são os amigos dela (e talvez os seus), são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo círculo de amigos.

Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. Mas, se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas, e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.

Não existe essa tal "estabilidade do casamento", nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensando fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.

Portanto, descubra o novo homem ou a nova mulher que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. Tenho certeza de que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.


SEÇÃO: HUMOR

Título da Piada: "Querendo um Carro"

Prestes a completar 18 anos, o filho roqueiro, revoltado e cabeludo de um pastor da igreja resolve fazer um pedido:
— Aí, paizão! Cê tá ligado que eu vou fazer 18 anos, né?
— Sim, filho...
— E, tipo assim, que
carro eu vou ganhar, paizão?
— Humm... As coisas não são tão fáceis assim, meu filho... Se você quer
ganharum carro, vai ter que se esforçar...
— Ih... Como assim, velho?
— Você melhora suas notas na escola. estuda a Bíblia todos os dias e corta esse cabelo horrível...
O filho fica meio chateado, mas se esforça para mudar e, um mês depois, volta a pedir o carro para o pai.
— Filho, eu estou realmente orgulhoso de você... – diz o pai — Você dobrou suas notas na escola e estudou a Bíblia incansavelmente... Mas e o cabelo, filho?
— Ah, paizão... Lendo a Bíblia eu fiquei pensando... Sansão tinha cabelo grande, Noé tinha cabelo grande, Jesus tinha cabelo grande... E todos eles eram pessoas maneiríssimas...
— Com certeza! — concordou o pai — Mas tem um detalhe!
— Qual? — perguntou o filho c
urioso...
— Todos eles andavam a pé!


"Porta Cervejas": MUITO PRÁTICO!!!

"O Catecismo da Conversão"


Mauricio Dias (colunista da Revista Carta Capital)

Texto publicado na Revista Carta Capital em 25/09/2009

A migração dos esquerdistas para a direita é uma trajetória comum na história republicana brasileira, embora não seja um fenômeno exclusivo do Brasil como é, por exemplo, essa curiosa fruta nativa da Mata Atlântica chamada jabuticaba.

Os caminhos dessa conversão política são muitos. E não há problema que isso ocorra, principalmente, quando ex-comunistas, como o agressivo Roberto Freire, ou ex-guerrilheiros, como o delicado Fernando Gabeira, mudaram por acreditar que a democracia política é melhor. Melhor que qualquer autoritarismo que imaginaram melhor para viver.

Agressivo e delicado são dois adjetivos usados intencionalmente para explicar aos que eventualmente não sabem que Freire e Gabeira usaram armas diferentes contra a ditadura militar brasileira. Agressivo era Gabeira que optou pela ação armada. Delicado era Freire que se lançou na oposição política.

O ruim é quando esses ex-militantes de esquerda passam a servir à direita e se esquecem de todas as outras ideias nas quais acreditavam e pelas quais se batiam.

Roberto Freire fundou o Partido Popular Socialista, que nada tem de socialista e, muito menos, de popular. No programa partidário exibido dias atrás, ele pontuou todo o roteiro das falas em oposição ao governo Lula. Atacou, por exemplo, a taxação de cadernetas de poupança acima de 50 mil reais, cuja finalidade, exposta pelo governo, é a de bloquear a utilização dos benefícios da poupança pelos grandes grupos de investidores que migraram das aplicações em virtude da queda nos juros.

Um parlamentar do PPS, Fernando Coruja, com destaque no Congresso, atacou a proposta de Lula de consolidar as leis sociais e torná-las permanentes, como Getúlio Vargas fez com as leis trabalhistas. A entrevista do deputado foi publicada no mesmo jornal em que Lula deu uma entrevista de valor capital. Entre outras coisas, o presidente lembrou:

“Sou de um tempo de dirigente sindical que, quando a gente falava de salário mínimo, as pessoas já falavam logo de inflação. Nós demos, desde que cheguei aqui, 67% de aumento real para o salário mínimo e ninguém mais fala de inflação”.

Embora aliado de Freire, Gabeira segue por caminho diferente. Protegido pela importante capa do ambientalismo ele ataca com outro viés as regras fixadas pelo governo para a exploração do pré-sal. Ambos servem, hoje, à candidatura presidencial conservadora dos tucanos.

Aí é que o bicho pega. Um escritor português, o anarquista Manoel de Souza, tratou desse trânsito político, esquerda-direita, na Europa. “Muitos outros comunistas, maoístas e trotskistas (...) comeram na mesa dos condes e das marquesas, ou nos seus leitos, nas amenas praias mediterrâneas, em nome da reconciliação nacional e de um mundo melhor. Para eles, pelo menos.”

Alguém já disse que eles trocaram o desejo de salvar o mundo pelo oportunismo de salvar-se no mundo.
Sobre eles, o português Souza despejou uma velha e contundente expressão popular da língua portuguesa, não se referindo à mãe que os deu à luz, e sim à condição de oportunistas, “alguém em quem nunca se devia confiar nem deve confiar”.

A invenção não é mesmo nossa, mas, sem dúvida, há brasileiros dando grande contribuição para aperfeiçoar esse comportamento.

"BOAS NOTÍCIAS PARA QUEM CONSOME ÁLCOOL DE FORMA MODERADA"

Texto de Adrienne Forman

Texto postado por FERNANDO

o álcool reduz o colesterol

Muitas pessoas talvez não se surpreendam ao saber que, quando consumido com moderação, o álcool também pode oferecer certa proteção contra a doença cardiovascular. A pesquisa mostrou que o consumo moderado de álcool pode aumentar o colesterol HDL.

Ele também pode diminuir a coagulação do sangue e a resistência à insulina, além de estar associado a níveis mais baixos de certos marcadores de inflamação (como a proteína C-reativa) que podem reduzir o risco de doença cardiovascular. O baixo consumo de álcool também pode diminuir o risco de diabetes. Essa pode ser uma boa notícia para aqueles que bebem moderadamente - ou seja, até uma dose por dia para mulheres e até duas doses por dia para homens (uma dose consiste em 45 ml de bebida destilada, 150 ml de vinho ou 350 ml de cerveja).

No início da década de 90, epidemiologistas analisaram dados de países do mundo inteiro e perceberam que o índice de morte por doença coronariana de pessoas na França era consideravelmente inferior ao de pessoas nos Estados Unidos, apesar de os franceses adorarem alimentos ricos em gordura.

Na verdade, o fenômeno chamado de "paradoxo francês" está relacionado ao fato de os franceses terem menos infartos que os norte-americanos. Essa é uma situação que talvez não seja explicada apenas comparando-se os níveis de colesterol nos dois países. Os especialistas acharam que essa diferença foi conseqüência principalmente da dieta francesa, com um consumo maior de vinho tinto, frutas e verduras. Embora o vinho tinto contenha antioxidantes e outros compostos que ajudam a prevenir coágulos de sangue ou a oxidação do colesterol LDL, não foi comprovado que apenas ele tenha esse efeito protetor. Na verdade, a maioria dos estudos associou o consumo moderado de álcool - incluindo vinho, cerveja e bebida destilada - a um risco reduzido de doença cardiovascular.

Mas os especialistas falam sobre perigo de estimular o consumo de álcool para aumentar o colesterol HDL ou diminuir a mortalidade por doença coronariana. Não apenas existem maneiras melhores de elevar o colesterol HDL (por exemplo, a prática regular de exercícios físicos), como também nem todas as pessoas conseguem lidar tão bem com o álcool limitando seu consumo a pequenas quantidades.

Muitos médicos estão preocupados com os níveis seguros de consumo de álcool dos pacientes. Eles dizem que o consumo de três a cinco doses alcoólicas por dia está associado a efeitos colaterais à saúde, e que o consumo pesado de álcool pode aumentar a pressão arterial, aumentar o nível de triglicerídeos no sangue, prejudicar o fígado, causar defeitos de nascença (quando o álcool é consumido durante a gestação) e aumentar o risco de desenvolvimento de certas formas de câncer. Além disso, a maioria das pessoas que desenvolve o alcoolismo bebe quantidades relativamente pequenas.



"CONVÊNIO MACABRO"

"Festival de Besteiras de Nossos Formadores de Opinião"

Texto extraido do blog: festival de besteiras da imprensa brasileira


ALGUÉM PODE ME DIZER PORQUE A MIRIAN LEITÃO ESTÁ ESCREVENDO TANTO SOBRE A SITUAÇÃO DE HONDURAS EM VEZ DA ESPLENDOROSA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA ?

Quem acompanha como eu o Blog da Míriam Leitão, por dever de ofício é bom que se diga, percebe que nos últimos dias ela tem escrito muita besteira sobre a situação de Honduras

Qual a essência dos seus textos (
clique aqui para ver o mais recente)?

1. O Zelaya é igual ao Chaves e ao Evo Morales (ela não fala do Uribe, que fez a mesma coisa que eles). Quer mudar a Constituição e se perpetuar no poder. Ah, não fala também que o Fernando Henrique fez a mesma coisa...

2. Embora tenha sido um golpe militar, a sua destituição, é razoavelmente defensável, dado que Chaves apóia Zelaya e este é um ditadorzinho disfarçado de democrata, como o Chaves e o Evo Morales.

3. O Brasil (Lula) está errado em deixar o Zelaya entrar e ficar na Embaixada Brasileira e deveria mostrar neutralidade em relação à situação. Onde já se viu condenar golpe militar? Isso é coisa de Presidente subdesenvolvido...

4. Insiste numa discussão sobre a distinção entre "asilo" e "abrigo", para continuar criticando o Zelaya e o Lula. Ah, tenta passar a idéia de que o Lula está isolado na tese de que houve um golpe e que o Zelaya tem que voltar ao poder, de onde foi destituído ilegalmente.

5. Critica o que ela avalia como "a intenção do Zelaya querer preservar o seu direito de fazer política". Ou seja, quando um presidente eleito, durante o seu mandato, for destituído pelos militares, segundo a Míriam, ele tem que "enfiar a viola no saco" e desistir de fazer política!

Como é do seu estilo, para criticar o Lula, cria um clima de filme de terror:

"O caso estava ontem ficando cada vez mais assustador. A sede da embaixada é território brasileiro. Quando o governo hondurenho cerca com tropas e corta serviços para a embaixada está agredindo o nosso país. Cada vez que uma pessoa é ferida — ou até morta — aumenta a responsabilidade do Brasil pela situação criada."

Pronto. A Míriam, que antes criou a idéia-força de que a crise só existia no Brasil, agora tenta criar a idéia-força de que a situação de Hondura é culpa do Brasil. Só que para ela Brasil tem nome e sobrenome: Luiz Inácio Lula da Silva

Este, que está sempre na ofensiva, não deixando besteira sem resposta, declarou para a Míriam, toda a CBN - incluindo o bobo do Jabor - e as Organizações Serra em geral:

'Vocês vão ter que acreditar num golpista ou em mim', diz Lula

"Efeitos do Governo Lula"

Pobreza extrema no Brasil é reduzida pela metade em 5 anos, mostra Ipea

POR SOFIA FERNANDES
(Colaboração para a
Folha Online, em Brasília)

O Brasil reduziu a pobreza extrema à metade em 2008, em comparação com 2003, constatou o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com base nos dados da última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios).

domingo, 20 de setembro de 2009

"O Efeito da Bebida"

SEÇÃO: HUMOR

TÍTULO DA PIADA: "A FILA"

O homem chega em casa e pega a mulher pelada na cama, sem mais nem menos. Na hora desconfia que tem alguma coisa de errado!
Quando começa à procurar o Ricardão, vê duas mãos segurando na janela, e lá tem um cara pendurado.
Com raiva, o marido fecha a janela e o cara que estava pendurado cai do oitavo andar do prédio.
O marido abre a janela e olha para baixo, para ver se o cara morreu, quando vê um cara correndo.
- É o safado - falou consigo mesmo.
Sem pensar muito, pegou o frigobar que estava ao lado da cama e jogou pela janela, acertando o cara lá embaixo.
Nisso, ele caiu em si e se arrependeu de ter matado o cara.
Pegou sua arma e se matou.
Chegando no céu, tinha uma fila com três caras na sua frente. Ele ficou prestando atenção na conversa com São Pedro dos caras:
- Por quê você morreu, meu filho? - disse o santo.
- Bom, eu estava limpando a janela do meu apartamento, quando escorreguei e caí, mas consegui me segurar na janela do apartamento de baixo. Mas infelizmente alguém fechou a janela e eu caí.
- Pode passar. Próximo! - veio o próximo.
- Bom, eu vi esse cara cair do prédio e corri pra socorrê-lo. Foi quando senti uma cacetada na cabeça e...
- Coitado! Pode passar... próximo! - veio o próximo.
- Bom São Pedro, eu estava fazendo uma coisa errada! Estava com uma mulher casada, quando de repende seu marido chegou. Mais que rápido eu me escondi no frigobar. À partir daí não me lembro mais de nada!

"Não Confunda, o Certo é ANA LANCHES"

"A Cultura da Má Notícia"


Por: Cynara Menezes(Colunista da Revista "Carta Capital")

No dia 17 de julho, saiu uma notícia dizendo que a criação de empregos formais no Brasil, ou seja, com carteira assinada, no primeiro semestre deste ano, foi a maior da história. No dia seguinte, a manchete do jornal que eu assino (dá na mesma qual; não sei se vocês já repararam, mas hoje em dia eles estão muito parecidos, para não dizer iguais) era “PF libera apenas trechos de gravação com delegado”. Tinha também um banqueiro corrupto sorridente e os parentes das vítimas de um acidente aéreo. Nada de empregos.

No dia 4 de agosto, anunciou-se que os empregos na construção civil dobraram em um ano, o maior contingente de empregos formais desde 1995. A manchete do meu jornal no dia 5 era: “No STF, teles mantêm sigilo de grampos”. Outros destaques do dia na primeira página foram o recuo da bolsa de valores e os ataques terroristas às vésperas dos jogos olímpicos. De novo, nada de empregos.

No dia 5 de agosto, a Fundação Getúlio Vargas divulgou um estudo segundo o qual a classe média no Brasil está crescendo. No mesmo dia, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) dizia que a pobreza no país está diminuindo. O jornal que assino, no entanto, destacava na manchete do dia seguinte o mapa da violência em São Paulo e, mais uma vez, as escutas da Polícia Federal. A boa notícia até que aparecia na primeira página, mas enigmática: “Estudo vê ganho de renda mais sólida e classe média maior”.

Eu não consigo entender esta opção sob nenhum aspecto. Por exemplo, o da venda de exemplares em banca, que deveria ser primordial para eles, já que vem despencando a cada ano. Será que um assunto como as futricas envolvendo a PF realmente vende mais jornais do que o aumento de empregos? Será que a violência paulistana interessa mais a potenciais leitores do que a ascensão social num país onde a desigualdade é um problema tão grave? Duvido.

Todos os dias acompanho, no mesmo jornal que assino, uma coluna onde se compilam notícias sobre o Brasil mundo afora, e as boas novas se sucedem. Uma hora é o futuro promissor do país em órgãos respeitados como o jornal New York Times ou a revista The Economist. Noutras, o de empresas nacionais como a Petrobras, que, segundo a Newsweek, será a maior empresa do mundo em cinco anos. Por que estas coisas não ecoam por aqui? Na real, a única opinião que vem de fora que vale, para a mídia, é a do presidente francês Charles de Gaulle de que “o Brasil não é um país sério”. Basta surgir algum problema para a lengalenga recomeçar: “ah, bem que De Gaulle blá-blá-blá”.

Frase de 1963... Não sei quanto a vocês, mas eu nem era nascida! Vamos combinar, de lá para cá muita água rolou por baixo da ponte. Obviamente, tem milhões de coisas que precisam melhorar no Brasil, mas daí a achar que essa sentença continua ditando regra é outra história. O mundo mudou, o Brasil mudou, De Gaulle até já morreu. Por que então os articulistas seguem se apegando a este vaticínio imutável até os dias de hoje? Por que o usam para ratificar que nosso destino é o fracasso até o final dos séculos, amém? Não é apenas porque se publicarem boas notícias vão parecer estar a favor do governo.

Não, o negócio é mais amplo. Pensei muito e cheguei à seguinte conclusão: os jornais optaram pela cultura da má notícia, das eternas nuvens negras sobre nossas cabeças, porque a mídia e quem ela representa (os tucanos, sobretudo) simplesmente não acreditam que o Brasil possa melhorar. Duvidam que o Brasil possa vir a ter um destino diferente de “não ser um país sério”. Que um dia cheguemos “lá”. Por isso, apostam na violência, na corrupção, no desemprego e na desgraça em suas manchetes.

Lembrem do Fernando Henrique. Ele nunca acreditou no Brasil. Comportava-se como se fosse “o presidente de primeira de um país de terceira”. E, bom, nem uma nem outra coisa provou ser verdade... O restante de seus colegas emplumados pensa igual em relação a São Paulo, que é uma exceção de primeiro mundo num país furreca. Nenhum deles acha que o Brasil presta. Todos se acham acima do país. É um problema grave para um político, não acreditar numa nação que quer governar.

Lula também é vítima da soberba, também ficou metido a besta ao chegar à Presidência. Mas eu estaria sendo injusta se dissesse que ele não acredita no Brasil. Acredita, sim. Tanto que, mesmo “se sentindo”, estou segura que o ex-operário não se considera acima do país. Sente-se menor do que ele, sabe que o potencial da nação que dirige é grande, maior que o seu próprio. Isto é bom. Mas tem gente no PT que não aposta no país, assim como em todos os partidos, à imagem e semelhança de nossa mídia.

Não é uma questão de ser ufanista, não. Ser ufanista é babaquice. “Este é um país que vai pra frente, uou-uou-uou-uou”, nada disso. Lula às vezes quer transmitir essa idéia, e não é porque vivemos tempos de Olimpíadas que fico tentada a embarcar nela. Para falar a verdade, nem sempre torço pelo Brasil em muita coisa.

Mas quero ter o direito de acreditar que ele pode dar certo. Já visitei vários lugares e sei que o Brasil é especial, um bom lugar para se viver. Um dos melhores países do mundo, de verdade. Dou graças aos céus por ter nascido aqui em vez de, sei lá, no Afeganistão. O Brasil não é um país de terceira, podem acreditar no que digo. Temos estrela, podemos ser protagonistas. Não se deixem levar pelos urubus da mídia a dizer o contrário.

Sei que é considerado o supra-sumo da sofisticação intelectual ser pessimista. Mas deixem-me ser otimista, por favor. Se isso é ser raso, é problema meu. E sabe o que mais? Vai te catar, Charles de Gaulle.

"Cardápio"

Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá a falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você. Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões. Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar “eu errei”. É ter ousadia para dizer “me perdoe”. É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer “eu te amo”. É ter humildade da receptividade. Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz…
E, quando você errar o caminho, recomece.
Pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.

Texto de: Fernando Pessoa

"Sem Comentários"

De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!

Texto de: Fernando Sabino