sábado, 24 de setembro de 2016

KIBE-LOCO-COMPARA-ALEXANDRExRONALDO

Kinzinho no Ministério! Nem o José Simão inventaria essa!

piada
Não foi no O Sensacionalista, não.
Deu na coluna de Monica Bergamo, na Folha, que Michel Temer está convocando o Movimento Brasil Livre, aquele do Kim Kataguiri, para orientar a política de comunicação do governo.
Um dos líderes do movimento, Renan Santos, se reuniu na quinta (22) com Moreira Franco, que é secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, mas ocupa espaço cada vez maior na área da comunicação de Michel Temer, substituindo Eliseu Padilha, da Casa Civil. Novo encontro pode ocorrer na próxima semana, desta vez com as agências de publicidade que detêm a conta do governo.
Segundo integrante do governo, a ideia, com Moreira à frente, é aproveitar a “expertise de mobilização, a sensibilidade, o fato de o MBL estar sentindo o pulso das ruas” para que eles ajudem a formular uma política de comunicação das propostas, inclusive nas redes sociais.
Quem sabe Temer chama o Kim Kataguiri, o líder mais conhecido do MBL para o Ministério?
Ele pode organizar manifestações com faixas “Menos verbas para a educação“, “Jornada de 12 horas, seus vagabundos!“, “Quer saúde, paga um plano!” ou ainda “Aposentadoria só quando você morrer“.
Ia ficar bacana, iam reunir multidões na Avenida Paulista.
Meu Deus, a que chegamos…

Teori, o lento, manda abrir investigação sobre Temer. Pra quê? Pra nada…

pranada
Às vezes fica até difícil comentar a tragicomédia que virou o Brasil.
O mnistro Teori Zavascki, aquele  que demorou seis meses para pedir o afastamento de Eduardo Cunha e só o fez depois que ele fez o serviço sujo do impeachment de Dilma, autorizou a Procuradoria Geral da República a fazer uma “investigação inicial” sobre Michel Temer por conta das gravações  de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que vieram à tona no início de maio, bem antes que este fosse confirmado pelo Senado como presidente do Brasil.
Mais de quatro meses!
Dispensa dizer mais, não é?
E se a “investigação inicial” do Dr. Janot fosse, por acaso, dar em alguma coisa?
Bem, como Michel Temer não pode ser processados por atos anteriores a seu mandato, se der em alguma coisa, não dá em nada.
O Doutor Teori Zavascki, com seu ar de afetada seriedade, pode achar sério um remédio que é dado depois que o cidadão morreu?
Dedico-lhe, como gaúcho que é, os versos do pernambucano Ascenso Ferreira – aliás, grande amigo de Leonel Brizola em tempos idos:
Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das coxilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
— Para que?
— Pra nada!

SOBRE A REFORMA NO ENSINO. É PARA SE "TEMER"

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Sergio Moro, o acervo de Lula e a revista na bolsa da empregada

Alguém precisa, com todos os riscos que isso traz na fragilíssima ordem jurídica do Brasil, começar a falar português claro.
E se o juiz Sérgio Moro quiser agir como um moleque, merecerá  que seja respondido como a um moleque.
Que diabos têm a ver com o caso da corrupção na Petrobrás – que é o “pedaço” jurídico de Sua Excelência – com a natureza dos bens que compõem o acervo pessoal de Lula na Presidência com a Petrobras?
Qual é a ligação da estatueta dada pelo Sultão do Benin (o Benin tem sultão?) a Lula ou a carta da dona Josefa, de Quixeramobim com o cartel das empreiteiras?
Nenhuma, a não ser o desejo mórbido de dizer que “Lula roubou”.
Sérgio Moro vai agir como uma “patroa” que manda revistar a bolsa da empregada, achando que esta, uma “pobre”, “ignorante” e sem valores morais deve, claro, ter roubado algum talher da mansão?
Vai-se fazer a mesma investigação sobre o acervo de Fernando Henrique, que igualmente inclui – aliás, por definição de um decreto dele próprio, FHC –  objetos presenteados como parte do acervo pessoal de um ex-presidente?
As atitudes de Sérgio Moro se tornaram escandalosas.
É o “staff” de temer que irá definir o que é ou não parte do acervo, ou será que alguém é tolo o suficiente para achar que foi Lula quem selecionou, pessoalmente, o que ia e o que não ia na mudança?
Qual seria a vantagem auferida por Lula, ainda que possa haver discussão sobre se tal ou qual objeto deveria ser acervo presidencial ou patrimônio estatal?
Acaso Lula montou uma banquinha em Santo Amaro para vender as quinquilharias?
Saiu apregoando; “olha freguesa, veja que maravilha essa adaga do Skeik de Agadir, uma pechincha, toda cravejada de pedras, por apenas 99 reais?”
E quando chegava o “rapa”, juntava tudo na lona , guardava numa portinha e ficava assobiando, como se nada tivesse acontecido.
O problema, porém, não é Moro ter perdido a noção do ridículo.
É não haver, na elite jurídica e midiática deste país mais nenhuma noção do ridículo.
Se o doutor Moro quiser me processar pelo que digo, esteja à vontade.
Mas não há nada de tão caro que ele possa me tomar que não valha a pena perder para poder dizer que um juiz tem de se dar ao respeito.
REDONDO

00Moro: licença para violar a lei, dizem desembargadores


00moro
Atenção advogados, atenção juízes (os que restam), atenção acadêmicos de direitos: não usem mais a antes frequente expressão jurídica de que a lei é erga omnes, a lei vale para todos.
A Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) decidiu que ela não vale para Sergio Moro.
Por 13 votos a um foi aprovado o relatório do desembargador Rômulo Pizzolatti que isenta Sergio Moro de responsabilidades funcionais por divulgar grampos feitos de forma duplamente ilegal, seja porque captados  já fora da vigência da autorização quanto, sobretudo, por  espionarem a Presidenta Dilma Roussef, que não estava sob a jurisdição do Imperador da Lava Jato.
Diz ele que a Lava Jato “constitui um caso inédito no Direito brasileiro, com situações que escapam ao regramento genérico destinado aos casos comuns.”
“A publicidade das investigações tem sido o mais eficaz meio de garantir que não seja obstruído um conjunto, inédito na administração da justiça brasileira, de investigações e processos criminais, a Operação Lava-Jato, voltados contra altos agentes públicos e poderes privados até hoje intocados”
Está entendido? Dane-se o sigilo telefônico quando ele servir, a critério exclusivo de um juiz, para fazer política.
Ou seja, se Moro, por conta própria, achava que Lula estaria “obstruindo” a Justiça ao, assumindo o cargo de Ministro da Casa Civil, passar à jurisdição do Supremo, tinha o direito de praticar a divulgação ilegal dos grampos. Porque, afinal, justiça é só com ele, o único juiz do Brasil, com o que parecem concordar os desembagadores, ao aprovar o voto que diz que “em tal contexto, não se pode censurar o magistrado, ao adotar medidas preventivas da obstrução das investigações da Operação Lava Jato”.
Portanto, se Moro achar conveniente, pode quebrar a lei.
Já temos a nossa versão do 007, licença para matar.

MAU NEGÓCIO:

MAUNEGOCIO

Reforma de Temer legaliza o “apartheid educacional” no Brasil. Por Gaudêncio Frigotto*

apartheideducacional
A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e midiático, liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos que frequentam a escola pública. Uma agressão frontal à constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes da Educação Nacional que garantem a universalidade do ensino médio como etapa final de educação básica.
Os proponentes da reforma, especialistas analfabetos sociais e doutores em prepotência, autoritarismo e segregação social, são por sua estreiteza de pensamento e por condição de classe, incapazes de entender o que significa educação básica. E o que é pior, se entende não a querem para todos.
Com efeito, por rezarem e serem co-autores da cartilha dos intelectuais do Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, etc., seus compromissos não são com direito universal à educação básica, pois a consideram um serviço que tem que se ajustar às demandas do mercado. Este, uma espécie de um deus que define quem merece ser por ele considerado num tempo histórico de desemprego estrutural.  O ajuste ou a austeridade que se aplica à classe trabalhadora brasileira, da cidade e do campo, pelas reformas da previdência, reforma trabalhista e congelamento por vinte anos na ampliação do investimento na educação e saúde públicas, tem que chegar à escola pública, espaço onde seus filhos estudam.
A reforma do ensino médio que se quer impor por Medida Provisória segue figurino da década de 1990 quando MEC era dirigido por Paulo Renato de Souza no Governo Fernando Henrique Cardoso. Não por acaso Maria Helena Guimarães é a que de fato toca o barco do MEC. Também não por acaso que o espaço da mídia empresarial golpista é dado a figuras desta década.
Uma reforma que retrocede ao obscurantismo de autores como Desttut de Tracy que defendia, ao final do século XIX, ser da própria natureza e, portanto, independente da vontade dos homens, a existência de uma escola rica em conhecimento, cultura, etc., para os que tinham tempo de estudar e se destinavam a dirigir no futuro e outra escola rápida, pragmática, para os que não tinham muito tempo para ficar na escola e se destinavam (por natureza) ao duro ofício do trabalho.
Neste sentido é uma reforma que anula Lei Nº. 1.821 de 12 de março de 1953. Que dispõe sobre o regime de equivalência dos cursos de grau médio para efeito de matrícula nos curso superiores e cria novamente, com outra nomenclatura, o direcionamento compulsório à universidade. Um direcionamento que camufla o fato de que para a maioria da classe trabalhadora seu destino são as carreiras de menor prestigio social e de valor econômico.
Também retrocede e torna, e de forma pior, a reforma do ensino médio da ditadura civil militar que postulava a profissionalização compulsória do ensino profissional neste nível de ensino. Piora porque aquela reforma visava a todos e esta só visa os filhos da classe trabalhadora que estudam na escola pública.  Uma reforma que legaliza o apartheid social na educação no Brasil.
O argumento de que há excesso de disciplinas esconde o que querem tirar do currículo – filosofia, sociologia e diminuir a carga de história, geografia, etc. E o medíocre e fetichista argumento que hoje o aluno é digital e não agüenta uma escola conteudista mascara o que realmente o aluno desta, uma escola degradada em seus espaços, sem laboratórios, sem auditórios de arte e cultura, sem espaços de esporte e lazer e com professores esfacelados em seus tempos trabalhando em duas ou três escolas em três turnos para comporem um salário que não lhes permite ter satisfeitas as suas necessidades básicas.  Um professorado que de forma crescente adoece. Os alunos do Movimento Ocupa Escolas não pediram mais aparelhos digitais, estes eles têm nos seus cotidianos. Pediram justamente condições dignas para estudar e sentir-se bem no espaço escolar.
Por fim, uma traição aos alunos filhos dos trabalhadores, ao achar que deixando que eles escolham parte do currículo vai ajuda-los na vida. Um abominável descompromisso  geracional e um cinismo covarde, pois seus filhos e netos estudam  nas escolas onde, na acepção de  Desttut de  Tracy  estudam os que estão destinados a dirigir  a sociedade.  Um reforma que legaliza a existência de uma escola diferença para cada classe social. Justo estes  intelectuais que em seus escritos negam a existência das classes sociais.
Quando se junta prepotência do autoritarismo, arrogância, obscurantismo e desprezo aos direitos da educação básica plena e igual para todos os jovens, o seu futuro terá  como horizonte a insegurança e a vida em suspenso.
* Gaudêncio Frigotto é filósofo e educador, professor do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A PARCIALIDADE DA NOSSA JUSTIÇA:

Porque Cristovam Buarque não merece mais ser chamado de professor

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Não gosto de dirigir ofensas pessoais a ninguém, mas há horas em que a dignidade nos obriga a dizer verdades que, na consciência plena de culpas de um traidor ou de um fariseu, soam como ofensivas.
Li uma breve manifestação do senhor Cristovam Buarque sobre a reforma educacional proposta pelo Governo Temer.
Ele elogia a volta da divisão escolar, lembrando do “clássico’ e do “científico”  que existiram até os anos 60.
Só um energúmeno pode fazer algo assim, sobretudo quando viveu aqueles tempos.
Para quem não os viveu, eu conto.
O curso “Normal” (que não se perca pelo nome) era para as “moças”, que ou seriam professoras primárias ou, tendo outras aspirações deveriam fazer o clássico, para seguir carreiras “recatadas”, das artes e do espírito,  bem como os homens que visassem a formação superior em Ciências Humanas.
Já os rapazes “pragmáticos” faziam o científico, como fez Cristovam para ser engenheiro.
As disciplinas pouco diferiam, mas a ênfase, sim.
A alternativa era o curso técnico, onde também imperava o sexismo. Na minha turma – a de 74 – da Escola Técnica Federal, hoje Cefet, havia apenas uma mulher, porque o curso não era para “meninas” que, afinal, não se prestavam a estas coisas mecânicas e não era bom que conhecessem tornos, fresas, forjas ou fundições, em lugar de panelas, caçarolas, frigideiras ou travessas.
É óbvio que o ensino médio precisa de cursos técnicos. Orgulho-me do meu.
Mas o que se está fazendo não é colocar mais áreas de conhecimento à disposição dos que as desejem, mas tirar algumas que são necessárias à construção de seres humanos plenos.
Para que artes, se não é necessário expressar sentimentos, impressões, sensações, se não é necessário compreender que é por ela e com ela que o homem, desde as cavernas, começou a escrever e contar e transmitir conhecimento?
Não sei se o senhor leu Nossa Senhora de Paris – talvez só tenha assistido a sua versão Disney, “O corcunda de Notre Dame”. Mas se acaso o leu, talvez se lembre da cena em que Cláudio, o arcediago da Catedral, aponta um dedo para as torres da igreja, com seus gárgulas e pousa a mão sobre um livro, dizendo “isto substituirá aquilo”.
Porque, até então, sem letramento, só a monumentalidade da arquitetura era capaz de levar a todos ideias, sentimentos, símbolos.
O conhecimento, se o senhor ainda fosse um professor saberia, não é um castelo onde seja dispensável conhecer alguns compartimentos que “não vêm ao caso”.
Para que é que um jornalista deveria saber matemática, não é mesmo, ex-professor? Ou para que um engenheiro mecânico como o senhor deveria saber algo sobre filosofia?
Pois eu não sei se o senhor, depois de ser apresentado como “intelectual” ainda precisa saber como se decompõem os vetores de força numa das belas estruturas que o Niemeyer fez aí em Brasília, para entender porque aquilo para de pé e não cai.
Mas eu, jornalista, sou imensamente ajudado pela capacidade que adquiri ao entender o que é “limite”, o que é “função”. E, talvez, para dizer ao senhor que matemática vem do grego que, livremente traduzido, quer dizer “o que se relaciona ao aprendizado”.
Já que não tenho certeza que o senhor tenha lido Victor Hugo, espero que, como muitos de nós, aí pelos 60, tenha lido “O Homem que Calculava”, de Julio César de Mello e Souza, o Malba tahan.
O senhor há de recordar que Beremiz Samir, o tal homem, foi desafiado a ensinar matemática à princesa Telassim, pois que era impossível que uma mulher aprendesse as artes dos números, que só importavam no “mercado”, coisa que não era para elas.
E a primeira frase que Beremiz lhe diz é: “Medir, senhora, é comparar”.
Pois eu, como Beremiz ensinava, o meço, senhor Cristovam, comparando-o: em que o senhor difere, em seus atos, de um Magno Malta ou de um Jair Agripino Maia, seus parceiros de golpismo e de sabujismo a Temer?
Mas me penitencio, também, não apenas por um dia lhe ter dado o meu voto, como por não o chamar mais de professor.
Afinal, o senhor ainda ensina. Ensina, pelo exemplo negativo,  como um homem não deve apodrecer com o tempo.

CONSELHO DE MÃE. É BOM ATENDER

CONSELHO

Reforma educacional de Temer é pior do que parece: só a parte boa é mentira

contadotemer
Vou reproduzir, no próximo post, um texto de Gaudêncio Frigotto, professor do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro , que disseca -como projeto reacionário e elitista que é – o projeto de reforma do Ensino Médio lançado de surpresa e sem qualquer debate público, via Medida Provisória, pelo governo Michel Temer.
Antes do professor, porém, peço licença para usar o meu velho cartesianismo para demonstrar que a única parte positiva do dito programa, a elevação da carga horária e o turno de sete horas, beirando o ensino de horário integral é, numa palavra bem direta, mentira. Sua implantação progressiva, prevista na MP, não existirá ou, na melhor das hipóteses, seletivíssima, reduzida a algumas unidades onde haja interesse político em fazê-la acontecer.
É simples o raciocínio: como, salvo engano, o número de alunos não vai diminuir (ou não deveria diminuir) tome-se uma escola de ensino médio que atenda 700 alunos em cada turno de 4 horas em que hoje funciona.
Como não se tem notícia de  que o plano venha acompanhado de um programa de construção e ampliação de escolas, esta mesma unidade terá de atender aos 700 alunos (2 x 350) com o mesmo espaço, as mesmas instalações e o mesmo pessoal.
Só há uma maneira de fazê-lo: dobrar o tamanho das turmas. Se tinham 30, passarão a ter 60.
Hoje, a maioria dos Estados, já diante das carências que possuem, fixa um máximo de 40 alunos por turma  no ensino médio.
Se a nossa escola que serve de modelo tiver, numa hipótese generosa, 35 alunos por turma, para atender ao limite de 40 por classe, ela tem hoje a necessidade de dez turmas (e salas de aula ou atividades) por turno.
Agora, sem novas escolas ou ampliações de peso, precisaria ter, durante todo o dia,  18 turmas (e salas)  pois 700/40 = 17,5.
A menos que a escola tenha hoje 8 salas vazias, não cabe. Quem vai bancar a construção de dezenas de milhares de salas de aula no país?
Ou será que vão fazer uns “puxadinhos” nas que têm quadras esportivas, agora inúteis, sem as classes de educação física?
Leonel Brizola para começar – começar, apenas – a implantar o turno único nas escolas, fez um programa de construção de 500 Cieps (aliás, sem dinheiro federal), quando a rede estadual andava pela média de mil escolas.
Há outro pequeno “detalhe”.
Manter um aluno na escola por sete horas implica – é óbvio – em custos maiores. Como estas escolas são mantidas pelos governos estaduais e estes estão – quase sem exceção  – quebrados, de onde virá este dinheiro?
O Governo Federal vai entrar com a parcela extra de gastos? Como, se o próprio governo mandou ao congresso uma proposta que congela os gastos – inclusive os com educação – ao limite máximo da correção inflacionária?
Quem vai pagar? O Alexandre Frota?
Portanto, antes que o professor Frigotto exponha o conteúdo didático da proposta, atrevo-me a demonstrar, como num quadro negro, que a história das sete horas diária é, como disse, MENTIRA.
O que, afinal, não chega a ser uma surpresa vindo de dois mentirosos como o “Mendoncinha” da educação e de  Michel Temer.
É o “dourado da pílula” que só engana os otários, que vão ficar louvando o “ensino integral” que só existe como desculpa para enfiar goela abaixo do país um retrocesso inacreditável de repartição do conhecimento na base do “você só aprenderá o que eu acho que será útil na sua vidinha medíocre”.

A lambança autoritária está minando a Lava Jato

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Começou no show do Powerpoint dos rapazes de Curitiba, mas Moro bancou e aceitou a denúncia, certamente contrafeito de não ter como agregar a ela uma prisão preventiva ou temporária.
Mas a invasão do hospital, hoje, não deu para segurar.
E Moro teve de sair correndo atrás de reparar o estrago com a revogação da ordem de prisão, com um despacho de “cabo de esquadra” dizendo que, certamente, as autoridades do MP e da PF “não sabiam” da situação.
Será que foram ao Hospital Sírio-Libanês achando que a mulher de Guido Mantega estava fazendo as unhas do pé?
Será que não tinha delegado numa operação desta monta?
Será que o delegado não tinha o telefone do outro delegado e este o dos promotores e estes os do Dr. Moro?
– Chefe, ele foi com a mulher no hospital, ela vai operar um câncer, o que eu faço, meto bronca lá no hospital mesmo?
Afinal de contas era a prisão de um ex-ministro da Fazenda, o que, pela repercussão, não acontece toda hora…
Pior, já havia sido determinada há mais de um mês, como o Tijolaço mostrou hoje. Será que o juiz, os promotores e os delegados não estavam lembrados mais?
E se Mantega era tão perigoso – seja por risco de fuga, seja por destruição de provas – não estava sendo monitorado?
E se é tão perigoso, porque revogar uma ordem de prisão por motivos piedosos?
Poderia até deixar que ficasse no hospital, discretamente escoltado, fosse o caso de valerem os “sentimentos cristãos” da turma curitibana.
Na verdade, na Lava jato pouco importam a consistência ou inconsistência das acusações e das provas.
Como em todo espetáculo, o enredo constrói sua própria verossimilhança.
O único problema é que ele se torne tão absurdo que se revele como encenação.

SEM PACIÊNCIA

PACIENCIA

Marcelo Auler e a desmoralizante história do auxílio-moradia do juiz “Swat”

swat
Marcelo Auler, cada vez mais  leitura indispensável para quem gosta de reportagem “do tempo em que havia repórter” levanta hoje em seu blog a fantástica história do juiz  Admilson Gomes Pereira, ex-titular da 1ª Vara da Comarca de Xinguara, que está afastado do cargo, com acusação de venda de sentenças, além de julgar casos patrocinados por sua namorada e ter mada de ameaçar  advogados.
Em casa, sem trabalhar, Admílson teve reconhecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – por maioria e contra o voto do relator, conselheiro Rogério Nascimento – o direito a receber auxílio moradias e alimentação relativos aos dois anos que está suspenso, sem fazer nada.
É coisa que, dependendo da norma utilizada no cálculo, passa de 100 mil reais, além dos R$ 26.924 mensais que recebe de vencimentos.
Quando li a matéria do Auler – repito, imperdível – fui dar uma “assuntada” sobre a figura. E vi que, orgulhosamente, em 2013, o site do Tribunal de Justiça (?) do Pará anuncia que o enviaram para os EUA, para fazer um curso operacional(!!!) na Swat, sobre ” táticas preventivas e ofensivas com armas de longo e curto alcance”.
O que, certamente, torna um juiz de direito apto a dar sentenças “ponto 50” e despachos “calibre 45”.
Não perca o Auler.

sábado, 27 de agosto de 2016

HOSPÍCIO...

Editorial do Le Monde: ou é golpe ou é, no mínimo, uma farsa

sanat
Traduzido pelo UOL, o editorial de ontem do jornal francês Le Monde:
Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.”
Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, está vivendo seus últimos dias no comando do Estado. Praticamente não há mais dúvidas sobre o resultado do julgamento de sua destituição, iniciado na quinta-feira (25) no Senado. A menos que aconteça uma reviravolta, a sucessora do adorado presidente Lula (2003-2010), que foi afastada do cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de agosto.
Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira.
Para descrever o processo em andamento, seus partidários dizem que esse foi um “crime perfeito”. O impeachment, previsto pela Constituição brasileira, tem toda a roupagem da legitimidade. De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas. A própria ex-guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em vão.
Impopular e desajeitada, Dilma Rousseff acredita estar sendo vítima de um “golpe de Estado” fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial pela rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).
Essa guerra de poder aconteceu tendo como pano de fundo uma revolta social. Após os “anos felizes” de prosperidade econômica, de avanços sociais e de recuo da pobreza durante os dois mandatos de Lula, em 2013 veio o tempo das reivindicações da população. O acesso ao consumo, a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas não conseguiam mais satisfazer o “povo”, que queria mais do que “pão e circo”. Ele queria escolas, hospitais e uma polícia confiável.
O escândalo de corrupção em grande escala ligado ao grupo petroleiro Petrobras foi a gota d’água para um país maltratado por uma crise econômica sem precedentes. Profundamente angustiados, parte dos brasileiros fizeram do juiz Sérgio Moro, encarregado da operação “Lava Jato”, seu herói, e da presidente sua inimiga número um.
A ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são santos.
O homem que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco, como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de campanha.
O braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica feita em março na qual ele defendia explicitamente uma “mudança de governo” para barrar a operação “Lava Jato”.
Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.